Quando se completa o ciclo profissional chega o momento de questionar-se: Qual é a hora de parar? Agora, que ainda tenho saúde e condições de realizar sonhos antes impossíveis? Viajar, conhecer lugares que sempre tive vontade? Fazer coisas que gosto, sem o compromisso e o desgaste da obrigação?
Mas também tem o outro lado da questão. Como parar de trabalhar agora, que ainda tenho boa saúde e condições de produzir? Por que parar, se sinto que ainda posso executar as tarefas que estava habituado, da mesma forma e. com mais experiência?
Na verdade, vai chegar uma hora que todos vamos parar, seja por vontade própria ou não.Será que é melhor escolher a sua hora? Ou deixar que ela aconteça naturalmente?
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
PEQUENAS EMPRESAS - O SÓCIO
O SÓCIO
O objetivo deste estudo consiste em relatar e analisar problemas que ocorrem em pequenas e micro empresas compostas por sociedade de duas ou mais pessoas, abordando aspectos relativos a conflitos decorrentes do relacionamento entre essas pessoas, bem como propor algumas medidas, ou atitudes, que possam contribuir para a minimização ou solução desses conflitos.
Certamente, muitas organizações empresarias deste porte, formadas por sócios, têm sucesso e funcionam por anos a fio, atingindo plenamente, os seus objetivos iniciais. Neste caso, os parceiros conseguem resolver satisfatoriamente seus conflitos, permanecendo focados nos objetivos maiores da empresa. A transparência no relacionamento e a correta divisão de atribuições e responsabilidades no negócio, são facilitadores dessa harmonia.
A clareza na definição do papel de cada um, a existência de registros e controles eficazes, possibilitam o fornecimento de informações corretas e em tempo aos sócios, tornando possível detectar a existência de desvios a tempo de corrigi-los evitando que seus efeitos tragam maiores danos à organização.
Planejar com cuidado o negócio também envolve buscar informações sobre seu futuro parceiro. Mesmo que o conheça pessoalmente, é importante trocar idéias sobre seus objetivos em relação ao negócio que está se iniciando. Quais são seus objetivos de longo prazo? O que realmente pretende com o negócio? Até que ponto vai o seu comprometimento com a nova atividade?
Se o futuro sócio é pessoa distante do seu relacionamento pessoal, então torna-se mais importante ainda conhecer seus objetivos, seu entusiasmo com o negócio. Buscar informações sobre seu comportamento anterior nas atividades que desenvolveu.
Enfim, quanto mais os sócios conhecerem-se, maior será a probabilidade de que conseguirão resolver seus conflitos de interesses satisfatoriamente para ambos.
Existem casos em que o sócio é amigo de longa data, jogam futebol juntos, têm ativa participação social conjunta. Porém, profissionalmente, quase não se conhecem. Por isso, é importante não misturar as coisas. O parceiro de festas, às vezes, só bom parceiro em festas e não aquela pessoa ideal para tocar um empreendimento com a inspiração e a transpiração necessárias.
Iniciaremos nossa análise, abordando os problemas advindos da formação da sociedade e do convívio entre os sócios. Posteriormente, tentaremos buscar alguns traços comuns nas empresas que tem uma sociedade duradoura e próspera.
Certa vez, a galinha convidou o porco para montarem uma sociedade. O objetivo da parceria era a produção de presunto com ovos. Ora, a parte que tocava à galinha era simples e não lhe causaria nenhum mal. Por outro lado, o porco teria que sacrificar-se, literalmente, para fornecer sua parte no produto. Seria esta sociedade justa? As partes estariam igualmente comprometidas? Com certeza, esta parceria não teria futuro.
Será que, ao ser convidado para montar uma sociedade, não lhe caberia o papel do porco? E se, ao contrário a você coubesse o papel da galinha, a sociedade teria futuro? Valeria a pena investir numa parceria desse tipo?
Certamente, que uma sociedade, para dar certo, tem que atender as expectativas dos participantes, possibilitar ganhos mútuos, atender interesses individuais, muitas vezes conflitantes. Os problemas começam a tornarem-se sérios quando um dos sócios sente-se prejudicado em relação à divisão das atividades e/ou dos recursos. Os motivos podem ser os mais diversos como veremos mais adiante.A tendência é que essa insatisfação afete, não apenas o relacionamento, mas sua desmotivação e mal estar podem impedir o desenvolvimento do negócio, tornando-se um entrave que pode levar desde a simples estagnação até ao fechamento prematuro, mesmo que, aparentemente, trate-se de um negócio com bom potencial para crescer.
Os conflitos entre sócios podem canalizar energias para aspectos que não interessam ao negócio, com a perda do foco principal da empresa, ora, se em paz já é difícil enfrentar, impostos, concorrência, gestão financeira, manutenção dos clientes e busca de novas opções, atualização tecnológica, preparando-se para o futuro incerto, imaginem em situação onde maior parte do tempo é dedicada à administração dos conflitos. O tempo passa a ser consumido nas desavenças, as atenções ficam voltadas para detalhes que fogem aos objetivos da empresa, o esforço inútil. Desta forma o negócio vai ficando cada vez mais em segundo plano, o resultado é perda do espaço empresarial, redução de receita, perda de clientes, etc.
Será que é possível, compatibilizar os interesses conflitantes, minimizar os prejuízos causados pela dificuldade de relacionamento dos sócios?
Em nosso entendimento, como acontece com a saúde das pessoas, se a doença for diagnosticada de forma correta e cedo, é mais fácil encontrar a cura. Nas empresas, se os problemas forem diagnosticados a tempo e atacados com eficácia, o processo pode ter solução rápida, sem que haja grandes prejuízos para a empresa e de forma que preserve o relacionamento entre as pessoas, principalmente quando trata-se de pessoas com ligações afetivas. Melhor ainda se houver uma prevenção adequada, eliminar o conflito, antes que aflore, que traga dano ao bom relacionamento entre os parceiros.
Visando simplificar a explicação, consideraremos em neste estudo, a existência de apenas dois sócios, o que sabemos não é regra geral. Entretanto, entendemos que, além de tornar mais fácil a compreensão, os problemas encontrados neste tipo de sociedade, refletem situações típicas, que ocorrem, mesmo em empresas com um número maior de sócios.
Normalmente, quando um empreendedor procura uma outra pessoa para montar uma sociedade, busca alguém que preencha alguma função a qual o empreendedor não se sente em condições de executar plenamente ou alguém com recursos disponíveis para completar o montante necessário para iniciar o empreendimento. Outra possibilidade é a escolha de um amigo ou familiar para, em conjunto, tocarem o empreendimento, às vezes pai e filho, marido e mulher, amigos, irmãos, etc.
Muitas vezes, o sonho de construir um negócio próspero com ganhos para ambos transforma-se em pesadelo, com grave reflexo, inclusive no relacionamento inicialmente existente. Casais separam-se, familiares viram inimigos, etc.
Muitos casos só conseguem ter um final após longo processo judicial, agravando ainda mais o relacionamento. Durante esse processo muitas vezes o empreendimento vai sendo deixado de lado, o que interessa é “vencer a guerra”, causar danos ao “inimigo”. Em resumo, quando a negociação passa a ser do tipo “perde-perde”, mais vale causar prejuízo ao adversário do que obter ganho pessoal.
E como fica a empresa durante esse processo? Como fica seu planejamento de médio e longo prazo? Será que a concorrência, sabendo do que está acontecendo, vai deixar passar essa oportunidade em vão?
Como é possível voltar seus esforços para o externo, se o interno está desarrumado, em conflito?
Custos com advogados, despesas judiciais, tempo dedicado às audiências e reuniões e outros esforços dedicados ao processo, tudo representa recurso tirado da empresa e, tempo, dinheiro, atenção, etc.
Certamente, como nas patologias humanas, o menor custo sempre é a prevenção. Nem sempre é possível prevenir, porém, todo o esforço realizado no planejamento e busca de informações, antes da efetivação da sociedade, compensa, se conseguir diminui a probabilidade de conflito tão grave.
Por que isso acontece?
Podemos encontrar uma grande variedade de causas que levam uma sociedade a esse desfecho, tipo “divórcio litigioso”, e que, podem levar um bom negócio a perder oportunidade de desenvolvimento ou, simplesmente, encerrar prematuramente, suas atividades.
A seguir, tentaremos identificar as principais causas geradoras de conflitos e analisar cada uma delas.
Conhecendo a causa é possível prevenir grande parte dos conflitos.
Entre as principais causas, podemos citar:
• Conduta inadequada por parte de um dos sócios;
• Conflitos emocionais;
• Problemas com terceiros;
• Desempenho Insatisfatório;
• Conflito de interesses entre os sócios;
Acontece quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas da sociedade, o que pode ocorrer tanto por falta de empenho ou capacidade para desenvolver o negócio ou por atitudes mais graves, tais como desvio de recursos, má fé na gestão financeira da empresa, ou outro tipo qualquer de falcatrua.
Quando o trabalho árduo e a responsabilidade pela administração do empreendimento recaem com mais carga sobre um dos sócios e o outro não atua no mesmo ritmo, o primeiro sente-se explorado e frustrado por ter que trabalhar enquanto o “boa vida” pouco faz, mas na hora de receber está sempre pronto pra dividir os resultados. A conseqüência é a deterioração das relações e, em último caso, o fim da sociedade.
A melhor solução para este caso, é a saída negociada, isto é buscar um acordo aceitável, antes que o relacionamento chegue a um ponto onde não é mais possível encontrar uma solução tipo “ganha-ganha”, isto é, onde ambas as partes saiam satisfeitas, cedendo em alguns pontos porém, preservando seus principais objetivos, sem desgaste maior no relacionamento entre as partes, sem custas judiciais ou conflitos mais graves. Tão logo surja o problema a parte que sente-se prejudicada deve procurar o outro a fim de buscar uma solução negociada. È bem mais fácil encontrar uma solução negociada antes que o relacionamento pessoal se deteriore a tal ponto, que não é mais possível chegar a um consenso.
Também não é incomum, a conduta desonesta por parte de um dos sócios. Neste caso, as conseqüências podem ser mais graves. De repente o sócio prejudicado se depara com dívidas não pagas, receitas não contabilizadas com sérias conseqüências para o negócio e até para sua vida pessoal.
Neste caso, a falta de controles formais adequados e, muitas vezes, de preparo do sócio prejudicado, facilita o trabalho do “esperto”, que se aproveita da confusão estabelecida pelo descontrole para desviar os recursos sem que o outro perceba.
A formalização adequada da sociedade, através de contratos bem feitos, que estabeleçam compromissos de cada parte, bem como, a adoção de controles eficazes para o gerenciamento do negócio que permita a transparência das atividades empresariais e o devido acompanhamento desses controles pelos sócios, minimizam os riscos e facilitam o relacionamento entre aos parceiros. O excesso de confiança e a omissão formam o ambiente propício para quem deseja agir de má fé, sem que o sócio perceba.
Uma das maneiras mais eficazes de reduzir os riscos é buscar o máximo de informações possíveis, antes de formalizar a sociedade. Procure conhecer o sócio, descubra quais foram suas atividades anteriores. Qual o seu conceito no mercado e junto à antigos sócios ou conhecidos. Conversar com o candidato a parceiro para conhecer sua visão do negócio, seus planos para o futuro. Procure descobrir quais são seus reais interesses na formação da sociedade. É natural e lógico que as informações obtidas nem sempre serão corretas e verdadeiras. Entretanto, a análise das diversas fontes e o cruzamento dessas informações obtidas, permitirão formar uma opinião a respeito do possível sócio.
A partir daí, é possível tomar uma decisão com menor risco, Certamente, que é possível reduzir riscos, não eliminá-lo. È uma questão de aumentar a probabilidade de que problemas futuros não ocorram.
Principalmente, quando se trata de pessoas, muitas vezes, somos levados a julgar erroneamente, ou pela esperteza do outro, ou pela nossa boa fé e falha na análise correta das informações obtidas ou ainda, utilizando fontes não confiáveis ou tendenciosas.
Informações corretas levam a avaliações mais precisas. Porém, informações incorretas ou falsas são mais nocivas do que a falta de informações. Portanto, é muito importante certificar-se da correção das informações obtidas e de sua qualidade, somente assim, a decisão final recairá sobre a melhor alternativa possível.
Quando o empreendimento é dividido entre familiares ou outras pessoas com vínculo emocional, pode parecer que não haja necessidade de exercer um controle mais rígido sobre os negócios. Porém, é aí que reside o perigo. A confiança cega no parceiro pode levar a uma percepção tardia do problema, com danos irreparáveis ao negócio, podendo inclusive afetar drasticamente a vida financeira do lesado.
Portanto, controle não é desconfiança, é apenas uma forma adequada de acompanhar os processos empresarias de maneira a evitar que os problemas apareçam tarde demais.
Além disso, um empreendimento bem controlado tende a atingir melhores resultados, tem seu planejamento facilitado, mostrando oportunidades e antecipando crises a tempo de evitar prejuízos maiores.
Conflitos emocionais
São mais comuns quando envolvem pessoas da mesma família, casais, pais e filhos, irmãos, etc.
Quando as pessoas que têm convívio familiar ou de parentesco, resolvem criar um empreendimento e participarem juntas do mesmo, não se dão conta de que o relacionamento pessoal pode afetar o relacionamento profissional e o contrário também pode acontecer.
De repente, os problemas do trabalho são trazidos para o convívio familiar e os conflitos familiares também podem ser levados para o trabalho. O relacionamento fica por conseqüência, mais intenso e os conflitos são potencializados da mesma forma.
Pequenos problemas no relacionamento entre familiares que atuam juntos em um negócio, podem ter repercussão maior se esses conflitos forem levados para o relacionamento familiar. Essa interferência de problemas profissionais nas relações familiares pode trazer desgastes no relacionamento pessoal que poderão acarretar prejuízos tanto nas relações profissionais como nas afetivas.
Para evitar que isso aconteça, é necessário que os parceiros estabeleçam um “pacto” entre si. O objetivo desse acordo prévio é a correta separação dos papéis. Por exemplo, não levar problemas profissionais para serem abordados no ambiente familiar e não tratar de conflitos “caseiros”, no local de trabalho. Isto significa simplesmente não misturar os assuntos. As desavenças de trabalho devem ser resolvidas na empresa e os conflitos domésticos dentro de casa.
O estabelecimento de certas regras pode ajudar a manter um clima pessoal e profissional que não atrapalhe, tanto o desenvolvimento de seu negócio como o relacionamento familiar.
Já conheci empresas, cujos sócios, marido e mulher, romperam os laços matrimoniais e continuaram a exercer suas atividades profissionais juntos. Apesar da separação do casal mesmo depois de longo tempo, quando os sócios já tinham refeito suas vidas com outros cônjuges, a parceria comercial continuou estável, sem que houvesse solução de continuidade para o negócio, ao contrário, a empresa em questão, continuou prosperando e trazendo bons lucros aos sócios.
Problemas com terceiros
Quando surge a necessidade de agregar mais um profissional na empresa, o correto seria procurar pessoa com o perfil adequado à atividade. Resolver uma carência profissional de forma profissional. Porém, muitas vezes não é isto que ocorre.
Um familiar em idade de trabalhar ou que está tendo problemas de comportamento, sem perfil adequado à atividade, despreparado para o exercício da função, de repente é escolhido para trabalhar na empresa.
Este tipo de problema ocorre quando surge um terceiro interessado no negócio, na maioria das vezes, indicado por um dos sócios, por ser seu familiar, amigo, enfim, da confiança de apenas um dos parceiros.
O exemplo mais comum é a inclusão de um filho quando este atinge a idade pra trabalhar, o pai na esperança de começar a preparar a sua sucessão resolve dar uma oportunidade ao filho. Entretanto, muitas vezes esse familiar não tem a resposta necessária do ponto de vista funcional. Mesmo assim, na esperança que haja uma melhora, o pai insiste em mantê-lo na empresa. Porém, sua atuação, além de não corresponder as necessidades da empresa, representa custo adicional e influência no comportamento do familiar. Há um certo desequilíbrio no relacionamento entre os antigos sócios. O outro parceiro, tem uma visão mais isenta e percebe a ineficácia do desempenho e os conseqüentes prejuízos trazidos à organização. Entretanto, sente-se constrangido em tratar do assunto com o sócio, para não criar animosidade entre eles. A insistência vai provocando desgaste ao relacionamento e, não raras vezes, danos ao empreendimento.
Em nossas atividades de consultoria, encontramos um exemplo deste tipo de problema, que praticamente liquidou com a sociedade.
Na empresa eram sócios dois irmãos. O filho de um dos sócios começou a apresentar problemas de comportamento, inclusive com o uso de drogas ilegais. O pai com o intuito de controlar melhor o filho e, ao mesmo tempo, afastá-lo do convívio de más companhias, colocou-o a trabalhar na empresa. O que aconteceu é que além de não melhorar, o rapaz percebeu que ali havia uma oportunidade de conseguir mais recursos para gastar com o seu vício. Começou a roubar e vender objetos da empresa. O outro sócio percebeu e teve muitas dificuldades para lidar com o problema. Mesmo com todo o cuidado, o relacionamento entre os irmãos ficou definitivamente abalado, com graves reflexos tanto na sociedade como na vida pessoal.
Desempenho Insatisfatório
Ocorre quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas quanto ao seu desempenho profissional, seja nos aspectos técnicos, de relacionamento ou mostra-se incapaz de gerir o negócio com a eficiência e eficácia necessárias.
O desempenho insuficiente pode ter efeitos nos resultados empresariais, no caso de atividade profissional, a falta de qualidade poderá resultar em perdas, afetando os resultados do empreendimento.
Não importa que um dos sócios faça a sua parte com excelentes resultados, se o outro não consegue os mesmos resultados, a empresa poderá ter seus clientes insatisfeitos e isso já é motivo para sérias preocupações e ações corretivas imediatas e eficazes.
Agora, se a parte que não está desempenhando suas atividades satisfatoriamente, não pensa assim, a correção fica ainda mais difícil.
Convencer o parceiro que o trabalho tem que melhorar é tarefa complicada e, dependendo do temperamento das pessoas envolvidas, praticamente impossível.
Por outro lado, quando falta qualidade na gestão do negócio, pode ocorrer uma oura situação, isto é, os produtos/serviços, são de boa qualidade, os clientes estão satisfeitos, a empresa vende bem, mas os resultados financeiros não aparecem.
A empresa produz com qualidade, os clientes estão plenamente satisfeitos, porém os resultados empresariais não correspondem ao esperado, isto é, as atividades de gestão estão sendo realizadas de forma inadequada.
Este tipo de problema é de difícil solução e o ideal seria uma avaliação mais apurada durante a fase preliminar da formação da sociedade.
O que pode ser feito é preencher as deficiências é assumir a responsabilidade pelas atividades cujos resultados não são satisfatórios ou entregando as atividades ou parte delas para outro profissional contratado, ou ainda, se possível, terceirizar a atividade ou parte dela.
Para tanto, é necessário convencer o parceiro da necessidade da mudança, o que pode não ser tarefa fácil.
Outra opção seria convencer o sócio a freqüentar cursos de aperfeiçoamento, para conhecer novas técnicas ou metodologias, mais eficazes. Talvez, até freqüentar junto os cursos ou simplesmente também passar por um processo de treinamento para tornar possível um auxílio ao sócio.
A procura por cursos especializados deveria ser uma constante por parte dos empreendedores. O mercado oferece várias opções inclusive algumas patrocinadas por órgãos públicos a preços acessíveis ou até, inteiramente gratuitos.
Freqüentar cursos referentes às atividades desenvolvidas pela empresa ou cursos sobre gestão empresarial, certamente trará melhorias no desempenho da empresa, qualificando suas atividades e introduzindo novas formas e métodos na gestão do negócio, com melhoria nos resultados empresariais.
Com isto, certamente os clientes ficarão mais satisfeitos entrando assim a empresa num círculo de virtudes.
Conflitos de interesses entre os sócios
Pessoas têm ambições diferentes, visão de futuro diferente para a vida pessoal. Dessa forma, essas diferenças podem representar discordâncias no momento de planejar a empresa.
Enquanto um sócio tem expectativa de crescimento pessoal e planeja desenvolver o negócio para aumentar seus resultados, buscando novas oportunidades e planejando inovar para crescer, pode acontecer de que seu parceiro em uma fase de vida pessoal, cujos objetivos sejam totalmente diferentes. Não pretende despender grandes esforços no negócio, entende de que do jeito que está, está bom, não vê necessidades de novos investimentos em um negócio que já vem dando certo há muito tempo. Para que mudar se os resultados são satisfatórios?
Este tipo de conflito ocorre, principalmente, em empresas familiares, onde o pai normalmente, o fundador da empresa, está mais interessado em planejar a sua aposentadoria, em diminuir suas atividades. Enquanto isso, os descendentes entendem que oportunidades não podem ser desperdiçadas, que os bons resultados do presente em nada garantem o futuro da empresa.
Para manter-se no mercado é preciso inovar e crescer, buscar novos mercados, acompanhar a concorrência, perceber novas necessidades dos clientes, se possível, antes que eles mesmos percebam.
Entendemos que este tipo de conflito é o mais natural e, normalmente, envolve a sucessão na pequena empresa, por vezes muito complicada. A solução pelo diálogo e convencimento, pela mudança nos papéis. É possível atender objetivos tão diversos se a negociação for bem encaminhada.
A solução passa por atender os objetivos de cada parceiro, mesmo que pareçam tão antagônicos. Se o fundador tem vontade de priorizar sua vida pessoal, nada mais justo. Para tanto, deve começar a deixar as atividades de planejamento da empresa, para o sucessor, vais aos poucos se afastando das atividades da empresa. É ele quem deve diminuir o ritmo e não a empresa.
Esse mesmo tipo de conflito pode surgir quando um dos sócios, mesmo sem diferenças de idade não quer crescer, tem receio de que o crescimento da empresa significará perder o controle. "O que engorda o boi é o olho do dono", diz o ditado popular. Porém, o "olho do dono", não necessita ser utilizado no sentido literal. O "olho do dono" pode ser simplesmente um computador bem programado. Se os controles também forem aperfeiçoados, a empresa pode crescer e desenvolver-se, sem a presença física dos proprietários. Basta que os métodos gerenciais sejam aperfeiçoados, a tecnologia pode contribuir em muito.
Se o empreendedor resolve montar um carrinho para vender pipoca, tem que controlar as compras, os estoques, a produção, as vendas, atender clientes, tudo sozinho. Quando o negócio cresce e ele adquire mais um carrinho para colocar em outro ponto, já não é mais possível executar todas as atividades simultaneamente. Precisa, no mínimo, delegar algumas atividades. A partir daí tem que desenvolver novos controles e novos registros para as principais atividades. Na medida em que o número de carrinhos aumenta, mais complexos serão os controles. Entretanto, se as operações mais importantes forem adequadamente registradas e o sistema de controle eficaz, a empresa cresce e o empresário ganha mais dinheiro.
Portanto, os "olhos" que controlam o negócio vão se tornando cada vez mais simbólicos, até fazendas já têm sistemas próprios informatizados que tornam desnecessária a presença constante do fazendeiro. Sua administração é realizada por profissionais especializados na atividade.
O FIM DA SOCIEDADE
Chega um momento em que a única solução é desfazer a sociedade, seja de modo amigável ou litigiosa.
E a empresa como fica no caso? Será que tem que, necessariamente, ser seu fim?
Talvez a situação conflituosa tenha chegado a um ponto onde não é mais possível se obter um acordo. Talvez os danos causados ao empreendimento sejam irreparáveis. Se isso acontecer, só restam duas alternativas, fecharem a empresa ou tentar e salvar parte do capital investido. A melhor solução pode ser - por decisão judicial ou em uma derradeira tentativa – que um dos sócios consiga comprar a parte do outro.
Voltando ao início, se na formação da sociedade, forem realizados os estudos adequados para verificar a sua viabilidade, tanto no aspecto econômico como no que diz respeito ao relacionamento entre os sócios, se o planejamento foi bem feito, então o risco de que a sociedade não venha a dar certo será bem menor. Se os parceiros conhecem os seus pontos fortes e fracos e um do outro e os seus próprios, poderão decidir seguir adiante ou não a sociedade, se seguirem, terão menos chance de cometer erros e terem conflitos graves. Dessa forma, iniciar bem é fundamental para a continuidade da sociedade e o sucesso do empreendimento.
Entretanto, se mesmo assim conflitos surgirem e os sócios, ou um deles, sentirem a necessidade de desfazerem a sociedade, é importante iniciar uma negociação do tipo “ganha-ganha”, onde no final, ambos tenham seus interesses atendidos, ao menos parcialmente.
É fundamental evitar o agravamento do conflito a tal ponto que não haja mais condições de uma saída negociada.
Manter o foco nos objetivos da empresa, convencer o parceiro de que não deve haver danos ao negócio enquanto não chega a uma conclusão satisfatória, isto é planejar o final da sociedade.
A quem interessa continuar na empresa? Como fica o outro parceiro? Como fica a empresa durante o processo? As vezes, o simples afastamento de um dos sócios do dia-a-dia da empresa, mantendo a sociedade de uma outra forma pode ser a solução.
Quanto maior o conflito e mais comprometida a relação, mais difícil ser chegar a um final feliz. Quando chega ao ponto de deteriorar o relacionamento profissional, só delegando a terceiros, a tarefa de mediar a obtenção do acordo.
Portanto, quando sentir que o emocional está interferindo e começar a ficar difícil de se encontrar uma saída racional, torna-se importante buscar ajuda de terceiros, que sirvam de mediadores do negócio. Afaste-se do contato mais próximo antes que a situação se agrave ainda mais.
Numa negociação com ganhos mútuos tem que haver uma margem para perdas mútuas também. Não assumir posição de intransigência, estar disposto a ceder se necessário, em pontos onde é possível ceder. O importante sempre é evitar o máximo a radicalização e o conflito pessoal.
Se a sociedade é familiar, ou envolve ligação afetiva entre os sócios, ainda é mais complicado evitar o conflito emocional. Assim, é ainda mais importante o uso de um mediador par evitar que os ânimos fiquem acirrados.
Manter o foco nos objetivos em relação ao negócio e não nas relações pessoais, certamente ajudará muito.
Procure negociar o término da sociedade antes que o relacionamento pessoal tenha influência decisiva no processo.
Admita ganhos para o outro lado, mesmo que você entenda que não seja justo. Peça ajuda quando sentir que a negociação está fugindo dos seu controle, não caia em provocações, esteja sempre aberto ao diálogo e disposto a ceder, estas são as atitudes que podem contribuir para que se chegue a um final feliz.
O objetivo deste estudo consiste em relatar e analisar problemas que ocorrem em pequenas e micro empresas compostas por sociedade de duas ou mais pessoas, abordando aspectos relativos a conflitos decorrentes do relacionamento entre essas pessoas, bem como propor algumas medidas, ou atitudes, que possam contribuir para a minimização ou solução desses conflitos.
Certamente, muitas organizações empresarias deste porte, formadas por sócios, têm sucesso e funcionam por anos a fio, atingindo plenamente, os seus objetivos iniciais. Neste caso, os parceiros conseguem resolver satisfatoriamente seus conflitos, permanecendo focados nos objetivos maiores da empresa. A transparência no relacionamento e a correta divisão de atribuições e responsabilidades no negócio, são facilitadores dessa harmonia.
A clareza na definição do papel de cada um, a existência de registros e controles eficazes, possibilitam o fornecimento de informações corretas e em tempo aos sócios, tornando possível detectar a existência de desvios a tempo de corrigi-los evitando que seus efeitos tragam maiores danos à organização.
Planejar com cuidado o negócio também envolve buscar informações sobre seu futuro parceiro. Mesmo que o conheça pessoalmente, é importante trocar idéias sobre seus objetivos em relação ao negócio que está se iniciando. Quais são seus objetivos de longo prazo? O que realmente pretende com o negócio? Até que ponto vai o seu comprometimento com a nova atividade?
Se o futuro sócio é pessoa distante do seu relacionamento pessoal, então torna-se mais importante ainda conhecer seus objetivos, seu entusiasmo com o negócio. Buscar informações sobre seu comportamento anterior nas atividades que desenvolveu.
Enfim, quanto mais os sócios conhecerem-se, maior será a probabilidade de que conseguirão resolver seus conflitos de interesses satisfatoriamente para ambos.
Existem casos em que o sócio é amigo de longa data, jogam futebol juntos, têm ativa participação social conjunta. Porém, profissionalmente, quase não se conhecem. Por isso, é importante não misturar as coisas. O parceiro de festas, às vezes, só bom parceiro em festas e não aquela pessoa ideal para tocar um empreendimento com a inspiração e a transpiração necessárias.
Iniciaremos nossa análise, abordando os problemas advindos da formação da sociedade e do convívio entre os sócios. Posteriormente, tentaremos buscar alguns traços comuns nas empresas que tem uma sociedade duradoura e próspera.
Certa vez, a galinha convidou o porco para montarem uma sociedade. O objetivo da parceria era a produção de presunto com ovos. Ora, a parte que tocava à galinha era simples e não lhe causaria nenhum mal. Por outro lado, o porco teria que sacrificar-se, literalmente, para fornecer sua parte no produto. Seria esta sociedade justa? As partes estariam igualmente comprometidas? Com certeza, esta parceria não teria futuro.
Será que, ao ser convidado para montar uma sociedade, não lhe caberia o papel do porco? E se, ao contrário a você coubesse o papel da galinha, a sociedade teria futuro? Valeria a pena investir numa parceria desse tipo?
Certamente, que uma sociedade, para dar certo, tem que atender as expectativas dos participantes, possibilitar ganhos mútuos, atender interesses individuais, muitas vezes conflitantes. Os problemas começam a tornarem-se sérios quando um dos sócios sente-se prejudicado em relação à divisão das atividades e/ou dos recursos. Os motivos podem ser os mais diversos como veremos mais adiante.A tendência é que essa insatisfação afete, não apenas o relacionamento, mas sua desmotivação e mal estar podem impedir o desenvolvimento do negócio, tornando-se um entrave que pode levar desde a simples estagnação até ao fechamento prematuro, mesmo que, aparentemente, trate-se de um negócio com bom potencial para crescer.
Os conflitos entre sócios podem canalizar energias para aspectos que não interessam ao negócio, com a perda do foco principal da empresa, ora, se em paz já é difícil enfrentar, impostos, concorrência, gestão financeira, manutenção dos clientes e busca de novas opções, atualização tecnológica, preparando-se para o futuro incerto, imaginem em situação onde maior parte do tempo é dedicada à administração dos conflitos. O tempo passa a ser consumido nas desavenças, as atenções ficam voltadas para detalhes que fogem aos objetivos da empresa, o esforço inútil. Desta forma o negócio vai ficando cada vez mais em segundo plano, o resultado é perda do espaço empresarial, redução de receita, perda de clientes, etc.
Será que é possível, compatibilizar os interesses conflitantes, minimizar os prejuízos causados pela dificuldade de relacionamento dos sócios?
Em nosso entendimento, como acontece com a saúde das pessoas, se a doença for diagnosticada de forma correta e cedo, é mais fácil encontrar a cura. Nas empresas, se os problemas forem diagnosticados a tempo e atacados com eficácia, o processo pode ter solução rápida, sem que haja grandes prejuízos para a empresa e de forma que preserve o relacionamento entre as pessoas, principalmente quando trata-se de pessoas com ligações afetivas. Melhor ainda se houver uma prevenção adequada, eliminar o conflito, antes que aflore, que traga dano ao bom relacionamento entre os parceiros.
Visando simplificar a explicação, consideraremos em neste estudo, a existência de apenas dois sócios, o que sabemos não é regra geral. Entretanto, entendemos que, além de tornar mais fácil a compreensão, os problemas encontrados neste tipo de sociedade, refletem situações típicas, que ocorrem, mesmo em empresas com um número maior de sócios.
Normalmente, quando um empreendedor procura uma outra pessoa para montar uma sociedade, busca alguém que preencha alguma função a qual o empreendedor não se sente em condições de executar plenamente ou alguém com recursos disponíveis para completar o montante necessário para iniciar o empreendimento. Outra possibilidade é a escolha de um amigo ou familiar para, em conjunto, tocarem o empreendimento, às vezes pai e filho, marido e mulher, amigos, irmãos, etc.
Muitas vezes, o sonho de construir um negócio próspero com ganhos para ambos transforma-se em pesadelo, com grave reflexo, inclusive no relacionamento inicialmente existente. Casais separam-se, familiares viram inimigos, etc.
Muitos casos só conseguem ter um final após longo processo judicial, agravando ainda mais o relacionamento. Durante esse processo muitas vezes o empreendimento vai sendo deixado de lado, o que interessa é “vencer a guerra”, causar danos ao “inimigo”. Em resumo, quando a negociação passa a ser do tipo “perde-perde”, mais vale causar prejuízo ao adversário do que obter ganho pessoal.
E como fica a empresa durante esse processo? Como fica seu planejamento de médio e longo prazo? Será que a concorrência, sabendo do que está acontecendo, vai deixar passar essa oportunidade em vão?
Como é possível voltar seus esforços para o externo, se o interno está desarrumado, em conflito?
Custos com advogados, despesas judiciais, tempo dedicado às audiências e reuniões e outros esforços dedicados ao processo, tudo representa recurso tirado da empresa e, tempo, dinheiro, atenção, etc.
Certamente, como nas patologias humanas, o menor custo sempre é a prevenção. Nem sempre é possível prevenir, porém, todo o esforço realizado no planejamento e busca de informações, antes da efetivação da sociedade, compensa, se conseguir diminui a probabilidade de conflito tão grave.
Por que isso acontece?
Podemos encontrar uma grande variedade de causas que levam uma sociedade a esse desfecho, tipo “divórcio litigioso”, e que, podem levar um bom negócio a perder oportunidade de desenvolvimento ou, simplesmente, encerrar prematuramente, suas atividades.
A seguir, tentaremos identificar as principais causas geradoras de conflitos e analisar cada uma delas.
Conhecendo a causa é possível prevenir grande parte dos conflitos.
Entre as principais causas, podemos citar:
• Conduta inadequada por parte de um dos sócios;
• Conflitos emocionais;
• Problemas com terceiros;
• Desempenho Insatisfatório;
• Conflito de interesses entre os sócios;
Conduta inadequada por parte de um dos sócios
Acontece quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas da sociedade, o que pode ocorrer tanto por falta de empenho ou capacidade para desenvolver o negócio ou por atitudes mais graves, tais como desvio de recursos, má fé na gestão financeira da empresa, ou outro tipo qualquer de falcatrua.
Quando o trabalho árduo e a responsabilidade pela administração do empreendimento recaem com mais carga sobre um dos sócios e o outro não atua no mesmo ritmo, o primeiro sente-se explorado e frustrado por ter que trabalhar enquanto o “boa vida” pouco faz, mas na hora de receber está sempre pronto pra dividir os resultados. A conseqüência é a deterioração das relações e, em último caso, o fim da sociedade.
A melhor solução para este caso, é a saída negociada, isto é buscar um acordo aceitável, antes que o relacionamento chegue a um ponto onde não é mais possível encontrar uma solução tipo “ganha-ganha”, isto é, onde ambas as partes saiam satisfeitas, cedendo em alguns pontos porém, preservando seus principais objetivos, sem desgaste maior no relacionamento entre as partes, sem custas judiciais ou conflitos mais graves. Tão logo surja o problema a parte que sente-se prejudicada deve procurar o outro a fim de buscar uma solução negociada. È bem mais fácil encontrar uma solução negociada antes que o relacionamento pessoal se deteriore a tal ponto, que não é mais possível chegar a um consenso.
Também não é incomum, a conduta desonesta por parte de um dos sócios. Neste caso, as conseqüências podem ser mais graves. De repente o sócio prejudicado se depara com dívidas não pagas, receitas não contabilizadas com sérias conseqüências para o negócio e até para sua vida pessoal.
Neste caso, a falta de controles formais adequados e, muitas vezes, de preparo do sócio prejudicado, facilita o trabalho do “esperto”, que se aproveita da confusão estabelecida pelo descontrole para desviar os recursos sem que o outro perceba.
A formalização adequada da sociedade, através de contratos bem feitos, que estabeleçam compromissos de cada parte, bem como, a adoção de controles eficazes para o gerenciamento do negócio que permita a transparência das atividades empresariais e o devido acompanhamento desses controles pelos sócios, minimizam os riscos e facilitam o relacionamento entre aos parceiros. O excesso de confiança e a omissão formam o ambiente propício para quem deseja agir de má fé, sem que o sócio perceba.
Uma das maneiras mais eficazes de reduzir os riscos é buscar o máximo de informações possíveis, antes de formalizar a sociedade. Procure conhecer o sócio, descubra quais foram suas atividades anteriores. Qual o seu conceito no mercado e junto à antigos sócios ou conhecidos. Conversar com o candidato a parceiro para conhecer sua visão do negócio, seus planos para o futuro. Procure descobrir quais são seus reais interesses na formação da sociedade. É natural e lógico que as informações obtidas nem sempre serão corretas e verdadeiras. Entretanto, a análise das diversas fontes e o cruzamento dessas informações obtidas, permitirão formar uma opinião a respeito do possível sócio.
A partir daí, é possível tomar uma decisão com menor risco, Certamente, que é possível reduzir riscos, não eliminá-lo. È uma questão de aumentar a probabilidade de que problemas futuros não ocorram.
Principalmente, quando se trata de pessoas, muitas vezes, somos levados a julgar erroneamente, ou pela esperteza do outro, ou pela nossa boa fé e falha na análise correta das informações obtidas ou ainda, utilizando fontes não confiáveis ou tendenciosas.
Informações corretas levam a avaliações mais precisas. Porém, informações incorretas ou falsas são mais nocivas do que a falta de informações. Portanto, é muito importante certificar-se da correção das informações obtidas e de sua qualidade, somente assim, a decisão final recairá sobre a melhor alternativa possível.
Quando o empreendimento é dividido entre familiares ou outras pessoas com vínculo emocional, pode parecer que não haja necessidade de exercer um controle mais rígido sobre os negócios. Porém, é aí que reside o perigo. A confiança cega no parceiro pode levar a uma percepção tardia do problema, com danos irreparáveis ao negócio, podendo inclusive afetar drasticamente a vida financeira do lesado.
Portanto, controle não é desconfiança, é apenas uma forma adequada de acompanhar os processos empresarias de maneira a evitar que os problemas apareçam tarde demais.
Além disso, um empreendimento bem controlado tende a atingir melhores resultados, tem seu planejamento facilitado, mostrando oportunidades e antecipando crises a tempo de evitar prejuízos maiores.
Conflitos emocionais
São mais comuns quando envolvem pessoas da mesma família, casais, pais e filhos, irmãos, etc.
Quando as pessoas que têm convívio familiar ou de parentesco, resolvem criar um empreendimento e participarem juntas do mesmo, não se dão conta de que o relacionamento pessoal pode afetar o relacionamento profissional e o contrário também pode acontecer.
De repente, os problemas do trabalho são trazidos para o convívio familiar e os conflitos familiares também podem ser levados para o trabalho. O relacionamento fica por conseqüência, mais intenso e os conflitos são potencializados da mesma forma.
Pequenos problemas no relacionamento entre familiares que atuam juntos em um negócio, podem ter repercussão maior se esses conflitos forem levados para o relacionamento familiar. Essa interferência de problemas profissionais nas relações familiares pode trazer desgastes no relacionamento pessoal que poderão acarretar prejuízos tanto nas relações profissionais como nas afetivas.
Para evitar que isso aconteça, é necessário que os parceiros estabeleçam um “pacto” entre si. O objetivo desse acordo prévio é a correta separação dos papéis. Por exemplo, não levar problemas profissionais para serem abordados no ambiente familiar e não tratar de conflitos “caseiros”, no local de trabalho. Isto significa simplesmente não misturar os assuntos. As desavenças de trabalho devem ser resolvidas na empresa e os conflitos domésticos dentro de casa.
O estabelecimento de certas regras pode ajudar a manter um clima pessoal e profissional que não atrapalhe, tanto o desenvolvimento de seu negócio como o relacionamento familiar.
Já conheci empresas, cujos sócios, marido e mulher, romperam os laços matrimoniais e continuaram a exercer suas atividades profissionais juntos. Apesar da separação do casal mesmo depois de longo tempo, quando os sócios já tinham refeito suas vidas com outros cônjuges, a parceria comercial continuou estável, sem que houvesse solução de continuidade para o negócio, ao contrário, a empresa em questão, continuou prosperando e trazendo bons lucros aos sócios.
Problemas com terceiros
Quando surge a necessidade de agregar mais um profissional na empresa, o correto seria procurar pessoa com o perfil adequado à atividade. Resolver uma carência profissional de forma profissional. Porém, muitas vezes não é isto que ocorre.
Um familiar em idade de trabalhar ou que está tendo problemas de comportamento, sem perfil adequado à atividade, despreparado para o exercício da função, de repente é escolhido para trabalhar na empresa.
Este tipo de problema ocorre quando surge um terceiro interessado no negócio, na maioria das vezes, indicado por um dos sócios, por ser seu familiar, amigo, enfim, da confiança de apenas um dos parceiros.
O exemplo mais comum é a inclusão de um filho quando este atinge a idade pra trabalhar, o pai na esperança de começar a preparar a sua sucessão resolve dar uma oportunidade ao filho. Entretanto, muitas vezes esse familiar não tem a resposta necessária do ponto de vista funcional. Mesmo assim, na esperança que haja uma melhora, o pai insiste em mantê-lo na empresa. Porém, sua atuação, além de não corresponder as necessidades da empresa, representa custo adicional e influência no comportamento do familiar. Há um certo desequilíbrio no relacionamento entre os antigos sócios. O outro parceiro, tem uma visão mais isenta e percebe a ineficácia do desempenho e os conseqüentes prejuízos trazidos à organização. Entretanto, sente-se constrangido em tratar do assunto com o sócio, para não criar animosidade entre eles. A insistência vai provocando desgaste ao relacionamento e, não raras vezes, danos ao empreendimento.
Em nossas atividades de consultoria, encontramos um exemplo deste tipo de problema, que praticamente liquidou com a sociedade.
Na empresa eram sócios dois irmãos. O filho de um dos sócios começou a apresentar problemas de comportamento, inclusive com o uso de drogas ilegais. O pai com o intuito de controlar melhor o filho e, ao mesmo tempo, afastá-lo do convívio de más companhias, colocou-o a trabalhar na empresa. O que aconteceu é que além de não melhorar, o rapaz percebeu que ali havia uma oportunidade de conseguir mais recursos para gastar com o seu vício. Começou a roubar e vender objetos da empresa. O outro sócio percebeu e teve muitas dificuldades para lidar com o problema. Mesmo com todo o cuidado, o relacionamento entre os irmãos ficou definitivamente abalado, com graves reflexos tanto na sociedade como na vida pessoal.
Desempenho Insatisfatório
Ocorre quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas quanto ao seu desempenho profissional, seja nos aspectos técnicos, de relacionamento ou mostra-se incapaz de gerir o negócio com a eficiência e eficácia necessárias.
O desempenho insuficiente pode ter efeitos nos resultados empresariais, no caso de atividade profissional, a falta de qualidade poderá resultar em perdas, afetando os resultados do empreendimento.
Não importa que um dos sócios faça a sua parte com excelentes resultados, se o outro não consegue os mesmos resultados, a empresa poderá ter seus clientes insatisfeitos e isso já é motivo para sérias preocupações e ações corretivas imediatas e eficazes.
Agora, se a parte que não está desempenhando suas atividades satisfatoriamente, não pensa assim, a correção fica ainda mais difícil.
Convencer o parceiro que o trabalho tem que melhorar é tarefa complicada e, dependendo do temperamento das pessoas envolvidas, praticamente impossível.
Por outro lado, quando falta qualidade na gestão do negócio, pode ocorrer uma oura situação, isto é, os produtos/serviços, são de boa qualidade, os clientes estão satisfeitos, a empresa vende bem, mas os resultados financeiros não aparecem.
A empresa produz com qualidade, os clientes estão plenamente satisfeitos, porém os resultados empresariais não correspondem ao esperado, isto é, as atividades de gestão estão sendo realizadas de forma inadequada.
Este tipo de problema é de difícil solução e o ideal seria uma avaliação mais apurada durante a fase preliminar da formação da sociedade.
O que pode ser feito é preencher as deficiências é assumir a responsabilidade pelas atividades cujos resultados não são satisfatórios ou entregando as atividades ou parte delas para outro profissional contratado, ou ainda, se possível, terceirizar a atividade ou parte dela.
Para tanto, é necessário convencer o parceiro da necessidade da mudança, o que pode não ser tarefa fácil.
Outra opção seria convencer o sócio a freqüentar cursos de aperfeiçoamento, para conhecer novas técnicas ou metodologias, mais eficazes. Talvez, até freqüentar junto os cursos ou simplesmente também passar por um processo de treinamento para tornar possível um auxílio ao sócio.
A procura por cursos especializados deveria ser uma constante por parte dos empreendedores. O mercado oferece várias opções inclusive algumas patrocinadas por órgãos públicos a preços acessíveis ou até, inteiramente gratuitos.
Freqüentar cursos referentes às atividades desenvolvidas pela empresa ou cursos sobre gestão empresarial, certamente trará melhorias no desempenho da empresa, qualificando suas atividades e introduzindo novas formas e métodos na gestão do negócio, com melhoria nos resultados empresariais.
Com isto, certamente os clientes ficarão mais satisfeitos entrando assim a empresa num círculo de virtudes.
Conflitos de interesses entre os sócios
Pessoas têm ambições diferentes, visão de futuro diferente para a vida pessoal. Dessa forma, essas diferenças podem representar discordâncias no momento de planejar a empresa.
Enquanto um sócio tem expectativa de crescimento pessoal e planeja desenvolver o negócio para aumentar seus resultados, buscando novas oportunidades e planejando inovar para crescer, pode acontecer de que seu parceiro em uma fase de vida pessoal, cujos objetivos sejam totalmente diferentes. Não pretende despender grandes esforços no negócio, entende de que do jeito que está, está bom, não vê necessidades de novos investimentos em um negócio que já vem dando certo há muito tempo. Para que mudar se os resultados são satisfatórios?
Este tipo de conflito ocorre, principalmente, em empresas familiares, onde o pai normalmente, o fundador da empresa, está mais interessado em planejar a sua aposentadoria, em diminuir suas atividades. Enquanto isso, os descendentes entendem que oportunidades não podem ser desperdiçadas, que os bons resultados do presente em nada garantem o futuro da empresa.
Para manter-se no mercado é preciso inovar e crescer, buscar novos mercados, acompanhar a concorrência, perceber novas necessidades dos clientes, se possível, antes que eles mesmos percebam.
Entendemos que este tipo de conflito é o mais natural e, normalmente, envolve a sucessão na pequena empresa, por vezes muito complicada. A solução pelo diálogo e convencimento, pela mudança nos papéis. É possível atender objetivos tão diversos se a negociação for bem encaminhada.
A solução passa por atender os objetivos de cada parceiro, mesmo que pareçam tão antagônicos. Se o fundador tem vontade de priorizar sua vida pessoal, nada mais justo. Para tanto, deve começar a deixar as atividades de planejamento da empresa, para o sucessor, vais aos poucos se afastando das atividades da empresa. É ele quem deve diminuir o ritmo e não a empresa.
Esse mesmo tipo de conflito pode surgir quando um dos sócios, mesmo sem diferenças de idade não quer crescer, tem receio de que o crescimento da empresa significará perder o controle. "O que engorda o boi é o olho do dono", diz o ditado popular. Porém, o "olho do dono", não necessita ser utilizado no sentido literal. O "olho do dono" pode ser simplesmente um computador bem programado. Se os controles também forem aperfeiçoados, a empresa pode crescer e desenvolver-se, sem a presença física dos proprietários. Basta que os métodos gerenciais sejam aperfeiçoados, a tecnologia pode contribuir em muito.
Se o empreendedor resolve montar um carrinho para vender pipoca, tem que controlar as compras, os estoques, a produção, as vendas, atender clientes, tudo sozinho. Quando o negócio cresce e ele adquire mais um carrinho para colocar em outro ponto, já não é mais possível executar todas as atividades simultaneamente. Precisa, no mínimo, delegar algumas atividades. A partir daí tem que desenvolver novos controles e novos registros para as principais atividades. Na medida em que o número de carrinhos aumenta, mais complexos serão os controles. Entretanto, se as operações mais importantes forem adequadamente registradas e o sistema de controle eficaz, a empresa cresce e o empresário ganha mais dinheiro.
Portanto, os "olhos" que controlam o negócio vão se tornando cada vez mais simbólicos, até fazendas já têm sistemas próprios informatizados que tornam desnecessária a presença constante do fazendeiro. Sua administração é realizada por profissionais especializados na atividade.
O FIM DA SOCIEDADE
Chega um momento em que a única solução é desfazer a sociedade, seja de modo amigável ou litigiosa.
E a empresa como fica no caso? Será que tem que, necessariamente, ser seu fim?
Talvez a situação conflituosa tenha chegado a um ponto onde não é mais possível se obter um acordo. Talvez os danos causados ao empreendimento sejam irreparáveis. Se isso acontecer, só restam duas alternativas, fecharem a empresa ou tentar e salvar parte do capital investido. A melhor solução pode ser - por decisão judicial ou em uma derradeira tentativa – que um dos sócios consiga comprar a parte do outro.
Voltando ao início, se na formação da sociedade, forem realizados os estudos adequados para verificar a sua viabilidade, tanto no aspecto econômico como no que diz respeito ao relacionamento entre os sócios, se o planejamento foi bem feito, então o risco de que a sociedade não venha a dar certo será bem menor. Se os parceiros conhecem os seus pontos fortes e fracos e um do outro e os seus próprios, poderão decidir seguir adiante ou não a sociedade, se seguirem, terão menos chance de cometer erros e terem conflitos graves. Dessa forma, iniciar bem é fundamental para a continuidade da sociedade e o sucesso do empreendimento.
Entretanto, se mesmo assim conflitos surgirem e os sócios, ou um deles, sentirem a necessidade de desfazerem a sociedade, é importante iniciar uma negociação do tipo “ganha-ganha”, onde no final, ambos tenham seus interesses atendidos, ao menos parcialmente.
É fundamental evitar o agravamento do conflito a tal ponto que não haja mais condições de uma saída negociada.
Manter o foco nos objetivos da empresa, convencer o parceiro de que não deve haver danos ao negócio enquanto não chega a uma conclusão satisfatória, isto é planejar o final da sociedade.
A quem interessa continuar na empresa? Como fica o outro parceiro? Como fica a empresa durante o processo? As vezes, o simples afastamento de um dos sócios do dia-a-dia da empresa, mantendo a sociedade de uma outra forma pode ser a solução.
Quanto maior o conflito e mais comprometida a relação, mais difícil ser chegar a um final feliz. Quando chega ao ponto de deteriorar o relacionamento profissional, só delegando a terceiros, a tarefa de mediar a obtenção do acordo.
Portanto, quando sentir que o emocional está interferindo e começar a ficar difícil de se encontrar uma saída racional, torna-se importante buscar ajuda de terceiros, que sirvam de mediadores do negócio. Afaste-se do contato mais próximo antes que a situação se agrave ainda mais.
Numa negociação com ganhos mútuos tem que haver uma margem para perdas mútuas também. Não assumir posição de intransigência, estar disposto a ceder se necessário, em pontos onde é possível ceder. O importante sempre é evitar o máximo a radicalização e o conflito pessoal.
Se a sociedade é familiar, ou envolve ligação afetiva entre os sócios, ainda é mais complicado evitar o conflito emocional. Assim, é ainda mais importante o uso de um mediador par evitar que os ânimos fiquem acirrados.
Manter o foco nos objetivos em relação ao negócio e não nas relações pessoais, certamente ajudará muito.
Procure negociar o término da sociedade antes que o relacionamento pessoal tenha influência decisiva no processo.
Admita ganhos para o outro lado, mesmo que você entenda que não seja justo. Peça ajuda quando sentir que a negociação está fugindo dos seu controle, não caia em provocações, esteja sempre aberto ao diálogo e disposto a ceder, estas são as atitudes que podem contribuir para que se chegue a um final feliz.
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