As pessoas estão vivendo mais tempo e com mais qualidade de vida, as aposentadorias tornaram-se precoces em função da legislação antiga, que considerava cenários completamente diferentes dos atuais e desse aumento quantitativo e qualitativo na expectativa de vida das pessoas. Os cálculos autuarais começaram a apontar problemas de caixa para os governos que tem que pagar aposentadorias durante mais tempo.
Por outro lado, o avanço tecnológico faz com que as empresas necessitem cada vez menos mão de obra para executar suas atividades. As poucas vagas são preenchidas, preferencialmente, com pessoas mais jovens.
Ora, se por um lado as pessoas vivem mais e, por isso, teriam condições para trabalhar mais tempo, por outro lado as oportunidades de emprego diminuem em função das substituição da mão de obra humana pela tecnologia. Se falta emprego para os jovens que entram no mercado de trabalho, o que dirá para as pessoas de 50 ou 60 anos, que ainda têm condições de trabalhar, mas não conseguem competir com os jovens, pois já não têm o perfil desejado para atender as atuais necessidades das empresas modernas.
Na realidade, a aposentadoria significa, para a grande maioria das pessoas, não o fim de suas atividades profissionais, mas sim a garantia do direito de ter uma renda vitalícia, para melhoria a sua condição de vida. Será que os governos não poderiam encontrar uma forma de manter essas pessoas em seus empregos por mais tempo e, ao mesmo tempo oferecer aos mesmos, vantagens que compensariam o adiamento de suas aposentadorias?
No caso brasileiro, optou-se pelo caminho inverso através da criação do “perverso” fator previdenciário, que pune aquelas pessoas que exercem o direito da aposentadoria através da redução de seu benefício.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O direito de não trabalhar
Foi publicado no jornal ZH, de 20/10/2010, a história de um cidadão francês, que aos 38 anos, depois de trabalhar 9 anos como técnico de informática, resolveu parar de trabalhar em 2005. Quando trabalhava, recebia em torno de R$ 4.600,00, por mês. Nos primeiros dois anos passou a receber mais ou menos R$ 2.700,00. Atualmente, recebe aproximadamente R$ 1.500,00. Segundo ele, não pretende mais trabalhar e passa os dias em casa jogando videogame.
No Brasil, temos duas formas de receber do governo sem contrapartida: O seguro desemprego e o bolsa família.
Através do seguro desemprego, é possível receber o valor máximo de R$ 954,21, em até 6 parcelas.
Através do bolsa família, o governo brasileiro repassa à famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 70,01 a R$ 140,00) e extremamente pobres (com renda mensal por pessoa de até R$ 70,00), benefícios que variam de 22 a 200 reais. Sendo que o valor pago depende do número de crianças e adolescentes atendidos e do grau de pobreza de cada família.
E o pior de tudo é que muitos brasileiros acham que estes benefícios não deveriam existir. Que servem apenas para sustentar quem não quer trabalhar.
No Brasil, temos duas formas de receber do governo sem contrapartida: O seguro desemprego e o bolsa família.
Através do seguro desemprego, é possível receber o valor máximo de R$ 954,21, em até 6 parcelas.
Através do bolsa família, o governo brasileiro repassa à famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 70,01 a R$ 140,00) e extremamente pobres (com renda mensal por pessoa de até R$ 70,00), benefícios que variam de 22 a 200 reais. Sendo que o valor pago depende do número de crianças e adolescentes atendidos e do grau de pobreza de cada família.
E o pior de tudo é que muitos brasileiros acham que estes benefícios não deveriam existir. Que servem apenas para sustentar quem não quer trabalhar.
sábado, 28 de agosto de 2010
O cachorro na corrente
Quando um cachorro tem um território para cuidar, seja um pátio ou um espaço limitado por uma corrente, normalmente ele é fera e agride quem tentar invadir seu espaço. Porém, se esse mesmo cão, for abandonado e solto nas ruas, o seu comportamento vai ser completamente diferente, ele vai ficar mais calmo e não vai sair mordendo todas as pessoas que encontrar.
Conheci muitos gerentes que se comportam de maneira semelhante, isto é, quando estão em um cargo mais importante na hierarquia da empresa, tem uma boa sala e secretária e um certo poder, se transformam em verdadeiros “cães na corrente”. São grosseiros, principalmente com seus subordinados. Tratam mal as pessoas e criam um círculo de proteção na sua volta, dificultando o acesso de outras pessoas ao seu “território”. Agora, quando perdem seus cargos ou passam a exercer outros de menor poder, tornam-se simpáticos e amáveis com as pessoas, feito o “cão abandonado”..
Em meu entendimento, não importa o cargo ou a posição que estamos ocupando na empresa, devemos sempre tratar as pessoas que nos cercam, sejam superiores hierárquicos ou subordinados, com respeito e consideração. Devemos ser duros se for necessário, cobrar resultados com firmeza, porém podemos fazer isso tratando com civilidade e respeito aqueles que convivem conosco, no ambiente de trabalho.
Conheci muitos gerentes que se comportam de maneira semelhante, isto é, quando estão em um cargo mais importante na hierarquia da empresa, tem uma boa sala e secretária e um certo poder, se transformam em verdadeiros “cães na corrente”. São grosseiros, principalmente com seus subordinados. Tratam mal as pessoas e criam um círculo de proteção na sua volta, dificultando o acesso de outras pessoas ao seu “território”. Agora, quando perdem seus cargos ou passam a exercer outros de menor poder, tornam-se simpáticos e amáveis com as pessoas, feito o “cão abandonado”..
Em meu entendimento, não importa o cargo ou a posição que estamos ocupando na empresa, devemos sempre tratar as pessoas que nos cercam, sejam superiores hierárquicos ou subordinados, com respeito e consideração. Devemos ser duros se for necessário, cobrar resultados com firmeza, porém podemos fazer isso tratando com civilidade e respeito aqueles que convivem conosco, no ambiente de trabalho.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
A Negociação do Touro
Há uns dias atrás apareceu na televisão a história de um touro que, após ser ferido em uma tourada na Espanha, sentindo a morte chegar, sem ter alternativas, jogou-se contra a platéia, ferindo várias pessoas.
Não sei por que, este fato lembrou-me de um curso sobre negociação que fiz há um tempo atrás. Neste curso, a estória contada foi a do gato. Isto é, quando você estiver brigando com um gato, sempre deixe uma saída para ele senão o bichano se bota em você.
Depois desse curso, numa situação de greve na empresa em que trabalhava, o chefão falou: “nesta greve a empresa tá ganhando de goleada”. Relacionando com a estória do gato, repliquei na hora: “Chefe, lembre-se que esses caras que estão sofrendo um derrota humilhante, são os mesmos que deverão te ajudar a atingir as metas da empresa, as tuas metas”.
Moral da estória, sempre que estiveres negociando em uma situação de conflito, deixe uma saída honrosa para o adversário, senão ele pode se voltar contra você. Lembre-se que, nem sempre o touro é manso, como diz outra estória.
Não sei por que, este fato lembrou-me de um curso sobre negociação que fiz há um tempo atrás. Neste curso, a estória contada foi a do gato. Isto é, quando você estiver brigando com um gato, sempre deixe uma saída para ele senão o bichano se bota em você.
Depois desse curso, numa situação de greve na empresa em que trabalhava, o chefão falou: “nesta greve a empresa tá ganhando de goleada”. Relacionando com a estória do gato, repliquei na hora: “Chefe, lembre-se que esses caras que estão sofrendo um derrota humilhante, são os mesmos que deverão te ajudar a atingir as metas da empresa, as tuas metas”.
Moral da estória, sempre que estiveres negociando em uma situação de conflito, deixe uma saída honrosa para o adversário, senão ele pode se voltar contra você. Lembre-se que, nem sempre o touro é manso, como diz outra estória.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Receita para emagrecer
Após uma dieta onde perdi 12kg em 3 meses, vai aqui a minha receita para emagrecer. Aline, desculpa o charlatanismo!
A receita é simples e segue um dito de Paracelsus, um alquimista dos antigos, que diz:
"Nada é veneno, tudo é veneno, depende da quantidade."
A receita é simples e segue um dito de Paracelsus, um alquimista dos antigos, que diz:
"Nada é veneno, tudo é veneno, depende da quantidade."
domingo, 1 de agosto de 2010
Sonhos e objetivos
Todos nós temos nossos sonhos, é preciso sonhar para viver e, além disso, sonhar não custa nada. Os sonhos refletem uma situação desejada, onde a felicidade será alcançada. Mesmo que nada façamos, eles continuam alí, intocáveis. Lí em algum lugar; “A felicidade é um fruto que está sempre onde o pomos, e nunca onde estamos”.
Certamente, muitos de nossos sonhos podem realizar-se. Para tanto, temos que agir, planejar, ultrapassar barreiras, persistir. Se realmente desejarmos que nossos sonhos se realizem, é necessário primeiramente, transformá-los em objetivos.
Para transformar um sonho em objetivo, devemos visualizar um cenário possível e realista e assumirmos o compromisso de transformar nossa utopia em realidade. Temos que estabelecer prazos e recursos para que o objetivo seja alcançado. Também é importante avaliar o esforço que teremos que fazer, o que daremos em troca? Teremos que abrir mão do que? Quais os caminhos que deveremos trilhar para atingir nosso alvo? Será que realmente vale a pena?
Se as respostas forem positivas, é so seguir em frente, continuar sonhando e buscando novos objetivos.
Certamente, muitos de nossos sonhos podem realizar-se. Para tanto, temos que agir, planejar, ultrapassar barreiras, persistir. Se realmente desejarmos que nossos sonhos se realizem, é necessário primeiramente, transformá-los em objetivos.
Para transformar um sonho em objetivo, devemos visualizar um cenário possível e realista e assumirmos o compromisso de transformar nossa utopia em realidade. Temos que estabelecer prazos e recursos para que o objetivo seja alcançado. Também é importante avaliar o esforço que teremos que fazer, o que daremos em troca? Teremos que abrir mão do que? Quais os caminhos que deveremos trilhar para atingir nosso alvo? Será que realmente vale a pena?
Se as respostas forem positivas, é so seguir em frente, continuar sonhando e buscando novos objetivos.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Personal Branding - Gestão de Marca Pessoal
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas... (Trecho do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu).
Creio que a frase acima é a base para entendermos um pouco da importância deste novo conceito que é muito citado e discutido no mercado atualmente, O Personal Branding, ou gestão de marca pessoal.
A marca pessoal nada mais é do que a imagem que passamos para as pessoas que nos rodeiam e o conceito que essas pessoas têm a nosso respeito. Essa imagem não implica somente nas roupas que usamos, carros que dirigimos ou o nosso corte de cabelo, não que devemos deixar de cuidar destes fatores, pois os mesmos representam 50% da nossa imagem, mas também a nossa ética, o estilo de vida que levamos, a nossa postura dentro e fora da empresa em que trabalhamos, etc. Os nossos colegas de trabalho, nossos amigos e familiares (não se engane, todos fazem parte do nosso networking) criam uma opinião a nosso respeito de acordo com todos os momentos que estiveram conosco. Esta opinião é formada após alguns minutos ou no decorrer dos anos. Geralmente esta opinião é transformada em um adjetivo: chato, desleixado, arrogante, sério, ético, ótimo profissional, etc. Qual o adjetivo que as pessoas pensam de você?
Para termos uma boa gestão da nossa marca pessoal, devemos nos basear nas marcas que conhecemos, ou seja, de empresas ou produtos. Para as marcas crescerem e se manterem no topo devem ter um ótimo planejamento, ter uma visão clara e objetivos alcançáveis, valores fortes, entre outras coisas. Pare um pouco e pense sobre a sua carreira. Qual o seu objetivo imediato? E para daqui a 5 ou 10 anos? O que você mais gosta de fazer? Aonde você quer ou pode realmente chegar? O que você esta fazendo agora para atingir esses objetivos? A imagem que você esta passando para o seu networking é realmente a imagem que você acha que esta passando? Pense! Reflita! Coloque as informações no papel e tente organiza-las para que fique claro para você para onde você esta levando a sua carreira.
Texto baseado no livro Personal Branding – construindo sua marca Pessoal / Arthur Bender – São Paulo: Integrare Editora 2009
Colaboração de Luciano da Costa Franco
Creio que a frase acima é a base para entendermos um pouco da importância deste novo conceito que é muito citado e discutido no mercado atualmente, O Personal Branding, ou gestão de marca pessoal.
A marca pessoal nada mais é do que a imagem que passamos para as pessoas que nos rodeiam e o conceito que essas pessoas têm a nosso respeito. Essa imagem não implica somente nas roupas que usamos, carros que dirigimos ou o nosso corte de cabelo, não que devemos deixar de cuidar destes fatores, pois os mesmos representam 50% da nossa imagem, mas também a nossa ética, o estilo de vida que levamos, a nossa postura dentro e fora da empresa em que trabalhamos, etc. Os nossos colegas de trabalho, nossos amigos e familiares (não se engane, todos fazem parte do nosso networking) criam uma opinião a nosso respeito de acordo com todos os momentos que estiveram conosco. Esta opinião é formada após alguns minutos ou no decorrer dos anos. Geralmente esta opinião é transformada em um adjetivo: chato, desleixado, arrogante, sério, ético, ótimo profissional, etc. Qual o adjetivo que as pessoas pensam de você?
Para termos uma boa gestão da nossa marca pessoal, devemos nos basear nas marcas que conhecemos, ou seja, de empresas ou produtos. Para as marcas crescerem e se manterem no topo devem ter um ótimo planejamento, ter uma visão clara e objetivos alcançáveis, valores fortes, entre outras coisas. Pare um pouco e pense sobre a sua carreira. Qual o seu objetivo imediato? E para daqui a 5 ou 10 anos? O que você mais gosta de fazer? Aonde você quer ou pode realmente chegar? O que você esta fazendo agora para atingir esses objetivos? A imagem que você esta passando para o seu networking é realmente a imagem que você acha que esta passando? Pense! Reflita! Coloque as informações no papel e tente organiza-las para que fique claro para você para onde você esta levando a sua carreira.
Texto baseado no livro Personal Branding – construindo sua marca Pessoal / Arthur Bender – São Paulo: Integrare Editora 2009
Colaboração de Luciano da Costa Franco
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Empreendedorismo. Persistência.
Não há resultado sem persistência, ela é uma condição para transformar uma idéia em algo real. Mas cuidado, há persistência sem resultado, e isso acontece quando a persistência se transforma em obsessão e já não está mais a serviço do objetivo principal.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Tecnologia e desemprego
Lá pelo final da década de 80, participei de um Congresso de Informática, em São Paulo. Um dos seminários que me interessou foi sobre Tecnologia e desemprego. Para completar meu interesse, um dos participantes era um senador da república, o qual eu já admirava pela sua trajetória pessoal e política. Minha admiração aumentou mais ainda quando, em seu pronunciamento, falou mais ou menos o seguinte: “Na realidade, o progresso tecnológico causa diminuição nos volumes de mão de obra. Porém, nenhum país conseguirá se desenvolver abrindo mão da tecnologia. O que tem que acontecer é que o lucro decorrente do progresso tecnológico deve ser convertido em benefícios para a sociedade e não, servir apenas para aumentar os rendimentos de uns poucos afortunados.”
O nome do senador era Fernando Henrique Cardoso, foi candidato a presidente do Brasil. Aí, eu votei nele e me decepcionei, porque a sua atuação como presidente nada teve a ver com o discurso do senador.
O nome do senador era Fernando Henrique Cardoso, foi candidato a presidente do Brasil. Aí, eu votei nele e me decepcionei, porque a sua atuação como presidente nada teve a ver com o discurso do senador.
O ferroviário
Quem é este profissional? Está em extinção? Vive de recordações?
Quando se pergunta a uma pessoa que trabalhou em ferrovia qual é a sua profissão, a resposta não é engenheiro, contador, torneiro mecânico, eletricista, técnico de segurança, etc .., mas “sou ferroviário”.
É interessante observar em reuniões de entidades ligadas ao meio ferroviário, a participação de pessoas já idosas, defendendo a ferrovia, como se ainda tivessem uma participação ativa, como se temessem a extinção das estradas de ferro, dispostos a lutar pela sua continuidade.
Durante décadas, os ferroviários tiveram um papel muito importante no desenvolvimento brasileiro, contribuíram para o crescimento de importantes cidades, participaram ativamente da vida política do país, através dos sindicatos e entidades de classe, fundaram a primeira cooperativa da América Latina, mantiveram escolas para formação de técnicos, entre outras atividades não menos importantes.
A partir do final da década de 50, o país optou por um modelo que privilegia o sistema rodoviário, priorizando estradas de rodagens, recebendo as principais fábricas de caminhões. Com isso, os trens foram perdendo espaço, primeiramente com a supressão dos trens de passageiros, posteriormente com a própria carga perdendo seu espaço para os caminhões.
Atualmente, o modal ferroviário é utilizado apenas como um complemento do transporte rodoviário brasileiro.
Com este novo cenário, os ferroviários perderam sua influência na sociedade, na década de 60, eram 17.000 trabalhadores ativos, apenas no Rio Grande do Sul, hoje, não devem passar de 500 colaboradores atuando na ferrovia, em nosso estado.
Mas mesmo neste cenário desfavorável, os ferroviários já aposentados, continuam lutando pelo desenvolvimento da ferrovia. Quando ouvem falar em projetos de ampliação do sistema ou da construção de novas ferrovias, seus olhos brilham, vibram como se fossem jovens estagiários prontos para enfrentar novos desafios.
Por isso, a questão. Que profissional é esse que não quer abandonar sua atividade, mesmo depois de cumprir todo o seu tempo de serviço? Que profissional é esse que se emociona quando começa a contar suas estórias nos tempos de ferroviário ativo? Que profissional é esse que mesmo já idoso manifesta tanto amor pela atividade que desempenhou durante sua vida como trabalhador ativo?
Será ele um dinossauro em extinção? Ou será ele um exemplo para os mais jovens que vivem num ambiente de mudanças constantes, onde o vínculo com a empresa que trabalham é apenas temporário.
Quando se pergunta a uma pessoa que trabalhou em ferrovia qual é a sua profissão, a resposta não é engenheiro, contador, torneiro mecânico, eletricista, técnico de segurança, etc .., mas “sou ferroviário”.
É interessante observar em reuniões de entidades ligadas ao meio ferroviário, a participação de pessoas já idosas, defendendo a ferrovia, como se ainda tivessem uma participação ativa, como se temessem a extinção das estradas de ferro, dispostos a lutar pela sua continuidade.
Durante décadas, os ferroviários tiveram um papel muito importante no desenvolvimento brasileiro, contribuíram para o crescimento de importantes cidades, participaram ativamente da vida política do país, através dos sindicatos e entidades de classe, fundaram a primeira cooperativa da América Latina, mantiveram escolas para formação de técnicos, entre outras atividades não menos importantes.
A partir do final da década de 50, o país optou por um modelo que privilegia o sistema rodoviário, priorizando estradas de rodagens, recebendo as principais fábricas de caminhões. Com isso, os trens foram perdendo espaço, primeiramente com a supressão dos trens de passageiros, posteriormente com a própria carga perdendo seu espaço para os caminhões.
Atualmente, o modal ferroviário é utilizado apenas como um complemento do transporte rodoviário brasileiro.
Com este novo cenário, os ferroviários perderam sua influência na sociedade, na década de 60, eram 17.000 trabalhadores ativos, apenas no Rio Grande do Sul, hoje, não devem passar de 500 colaboradores atuando na ferrovia, em nosso estado.
Mas mesmo neste cenário desfavorável, os ferroviários já aposentados, continuam lutando pelo desenvolvimento da ferrovia. Quando ouvem falar em projetos de ampliação do sistema ou da construção de novas ferrovias, seus olhos brilham, vibram como se fossem jovens estagiários prontos para enfrentar novos desafios.
Por isso, a questão. Que profissional é esse que não quer abandonar sua atividade, mesmo depois de cumprir todo o seu tempo de serviço? Que profissional é esse que se emociona quando começa a contar suas estórias nos tempos de ferroviário ativo? Que profissional é esse que mesmo já idoso manifesta tanto amor pela atividade que desempenhou durante sua vida como trabalhador ativo?
Será ele um dinossauro em extinção? Ou será ele um exemplo para os mais jovens que vivem num ambiente de mudanças constantes, onde o vínculo com a empresa que trabalham é apenas temporário.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Empreendedorismo. Autoconfiança.
Ter autoconfiança não significa pensar que não se comete erros, senão que não se teme cometê-los. Não significa pensar que se pode tudo, senão assumir-se e aceitar-se tal como se é, com seus pontos fracos e pontos fortes. Porque a partir daí, se pode aproveitar melhor o que se sabe e, aprender e melhorar naquilo que não se tem domínio.
Autoconfiança realmente significa confiar no que o meu "eu" diz, acreditar em mim mesmo, quando minha voz inteior diz "faz tal coisa" ou "não coloque você nisso, porque não poderá cumprir".
Autoconfiança realmente significa confiar no que o meu "eu" diz, acreditar em mim mesmo, quando minha voz inteior diz "faz tal coisa" ou "não coloque você nisso, porque não poderá cumprir".
sábado, 10 de julho de 2010
Empreendedorismo. Eficiência e qualidade
Quando faço um trabalho medíocre ou ruim estou prejudicando principalmente a mim mesmo e, somente em segundo lugar a um terceiro, que espera receber o fruto do meu esforço.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Empreendedorismo. A oportunidade não é uma questão de sorte
Oportunidades existem durante todo o tempo, em qualquer lugar. Trata-se de vê-las e agarrá-las quando se apresentam. A prova está no fato que existem milhares de pessoas que aparentemente as enxergam e sabem como aproveitá-las. As oportunidades não vão ao encontro com você, senão que você tem que ir ao seu encontro, não é uma questão de sorte.
domingo, 20 de junho de 2010
Os espanhóis e os ingleses
Os espanhóis e os ingleses tiveram grande sucesso como colonizadores. Porém, com métodos bem diferentes. Para os espanhóis o importante era extrair todas as riquezas disponíveis, pois acreditavam que existia apenas uma quantidade fixa de valor na Terra e, portanto, o caminho para acumular riquezas era aprender a extraí-las com mais eficiência do solo ou das pessoas.
Já os ingleses acreditavam que valia a pena investir em atividades que perdurassem e possibilitassem um retorno ao longo do tempo. Por isso, em suas colônias, além da exploração das riquezas naturais, implantavam a pecuária e a agricultura.
O que a história nos mostrou é que os ingleses mantém até hoje vínculo com suas antigas colônias, a maioria delas, atualmente, são países desenvolvidos, mas que ainda fazem parte da comunidade britânica. Já as antigas colônias espanholas, exauridas em seus recursos, lutaram muito para conseguir suas independências. Na atualidade, a maioria são países pobres, que não mantém mais nenhum vínculo com o antigo colonizador, além dos que mantém com qualquer outra nação.
Podemos comparar os dois estilos, ao que ocorre na maneira como as empresas gerenciam seus empregados. As empresas do estilo espanhol são aquelas que procuram explorar ao máximo seus colaboradores, tratando-os como um recurso que, depois de exaurido, deve ser descartado. Já as empresas do estilo inglês, são aquelas que procuram investir em treinamento e motivação para que seus colaboradores cresçam dentro da organização e lá permaneçam. As primeiras têm alto índice de rotatividade, nela as pessoas permanecem por um tempo mínimo até conseguir outra alternativa melhor. Nas outras, as pessoas sentem-se recompensadas e motivadas para o trabalho e procuram seu desenvolvimento e crescimento profissional na própria empresa.
Bibliorgrafia: PEOPLEWARE, escrito por Tom DeMarco e Timothy Lister, Ed. Makron Books McGraw-Hill, 1990.
Já os ingleses acreditavam que valia a pena investir em atividades que perdurassem e possibilitassem um retorno ao longo do tempo. Por isso, em suas colônias, além da exploração das riquezas naturais, implantavam a pecuária e a agricultura.
O que a história nos mostrou é que os ingleses mantém até hoje vínculo com suas antigas colônias, a maioria delas, atualmente, são países desenvolvidos, mas que ainda fazem parte da comunidade britânica. Já as antigas colônias espanholas, exauridas em seus recursos, lutaram muito para conseguir suas independências. Na atualidade, a maioria são países pobres, que não mantém mais nenhum vínculo com o antigo colonizador, além dos que mantém com qualquer outra nação.
Podemos comparar os dois estilos, ao que ocorre na maneira como as empresas gerenciam seus empregados. As empresas do estilo espanhol são aquelas que procuram explorar ao máximo seus colaboradores, tratando-os como um recurso que, depois de exaurido, deve ser descartado. Já as empresas do estilo inglês, são aquelas que procuram investir em treinamento e motivação para que seus colaboradores cresçam dentro da organização e lá permaneçam. As primeiras têm alto índice de rotatividade, nela as pessoas permanecem por um tempo mínimo até conseguir outra alternativa melhor. Nas outras, as pessoas sentem-se recompensadas e motivadas para o trabalho e procuram seu desenvolvimento e crescimento profissional na própria empresa.
Bibliorgrafia: PEOPLEWARE, escrito por Tom DeMarco e Timothy Lister, Ed. Makron Books McGraw-Hill, 1990.
domingo, 13 de junho de 2010
O desejo de ser motivado
Estamos todos voltados para nós próprios, sorvemos cada minúsculo elogio e, de modo geral, apreciamos imaginar que somos vencedores. O fato é, porém, que nossas aptidões se distribuem na forma de uma curva normal. Nenhum de nós é realmente tão talentoso quanto gostaria de ser, mas não nos faz bem que essa realidade seja diariamente esfregada no nosso nariz.
Texto extraído do livro; VENCENDO A CRISE, Thomas J. Peters e Robert H. Waterman Jr., Ed. Harper & Row do Brasil Ltda., 1983. Pág.64.
Texto extraído do livro; VENCENDO A CRISE, Thomas J. Peters e Robert H. Waterman Jr., Ed. Harper & Row do Brasil Ltda., 1983. Pág.64.
domingo, 6 de junho de 2010
A beleza escondida
Quando ferroviário tive a oportunidade de percorrer alguns trechos das estradas de ferro que cortavam o Rio Grande do Sul. Digo cortavam porque, após o processo de privatização muitos dos trechos já foram desativados e hoje estão em completo abandono.
Por duas vezes, passei pelo chamado tronco sul, denominação da estrada de ferro que liga o Rio Grande do Sul ao norte do país, passando por Roca Sales, Vacaria e Lages, entre outras cidades.
Confesso que, até hoje, é muito difícil descrever as belezas que vi pelo caminho, no trecho que a ferrovia atravessa a serra gaúcha, a paisagem é maravilhosa, autênticos túneis verdes tendo de um lado as montanhas e de outro, penhascos onde lá embaixo corre o rio das Antas. Na parte catarinense, em direção à Lages, túneis em seqüência, intercalados por aterros e obras de arte, formando uma paisagem única e muito linda.
Ao relembrar aquelas lindas paisagens, me dou conta de que só uns poucos brasileiros tiveram ou têm o privilégio de usufruí-las, somente aquelas pessoas que trabalham ou trabalharam na ferrovia e viajam ou viajavam naquele trecho. Jamais passou por ali um trem de passageiros.
É uma beleza escondida da sociedade que pagou por sua construção.
Obs: Este texto também foi publicado no blog da página www.amantesdaferrovia.com.br
Por duas vezes, passei pelo chamado tronco sul, denominação da estrada de ferro que liga o Rio Grande do Sul ao norte do país, passando por Roca Sales, Vacaria e Lages, entre outras cidades.
Confesso que, até hoje, é muito difícil descrever as belezas que vi pelo caminho, no trecho que a ferrovia atravessa a serra gaúcha, a paisagem é maravilhosa, autênticos túneis verdes tendo de um lado as montanhas e de outro, penhascos onde lá embaixo corre o rio das Antas. Na parte catarinense, em direção à Lages, túneis em seqüência, intercalados por aterros e obras de arte, formando uma paisagem única e muito linda.
Ao relembrar aquelas lindas paisagens, me dou conta de que só uns poucos brasileiros tiveram ou têm o privilégio de usufruí-las, somente aquelas pessoas que trabalham ou trabalharam na ferrovia e viajam ou viajavam naquele trecho. Jamais passou por ali um trem de passageiros.
É uma beleza escondida da sociedade que pagou por sua construção.
Obs: Este texto também foi publicado no blog da página www.amantesdaferrovia.com.br
terça-feira, 1 de junho de 2010
Formação empreendedora
Quando se pensa em empreendedorismo, lembra-se empresa, empresário. Será que para ser em empreendedor é necessário ser proprietário ou sócio de uma empresa?
Com certeza podemos afirmar que todo empresário é um empreendedor. Porém, ser empreendedor não significa obrigatoriamente ser um empresário. Podemos desenvolver nosso potencial empreendedor, mesmo trabalhando como empregado ou profissional autônomo.
São características de um empreendedor; estar sempre disposto a aprender, estabelecer objetivos, ser persistente, planejar seu futuro, procurar diagnosticar seus pontos fortes e pontos fracos, aproveitar oportunidades mesmo correndo risco moderado, preparar-se para enfrentar as ameaças, cumprir seus compromissos, inovar e procurar estar sempre informado sobre os assuntos de seu interesse profissional.
Aquele que tem um comportamento pró-ativo e que planeja sua evolução profissional para um longo prazo, pode estabelecer como meta, por exemplo, passar determinado tempo em uma, ou algumas corporações, para adquirir experiência. Somente após esse período de aprendizado, vai montar seu próprio negócio ou simplesmente investir em uma carreira solo.
Na realidade, a formação empreendedora deve funcionar como se cada um fosse o seu próprio negócio. Isto é, cada profissional deve procurar investir em suas características empreendedoras, visando fortalecer-se como profissional e estar sempre preparado para nos desafios.
No livro “Vencendo a crise” (Thomas J. Peters e Robert H. Waterman Jr. - Ed. Harbra – 1982), os autores descrevem o que eles chamam “vocabulário de padrões’. O que significa isso? Bem as pessoas ao longo de sua vida vão adquirindo conhecimentos e passando por experiências diversas. Com isto, vão formando referências de tal forma que cada pessoa vai tendo um vocabulário de padrões único.
Segundo os autores:
“O conceito de vocabulário de padrões há de nos ser útil de várias maneiras, à medida que formos refletindo sobre sua relevância para questão da excelência gerencial. Ele há de nos ajudar a confiar mais em nossa intuição no momento das decisões cruciais. Ele há de nos levar a pedir, com mais freqüência, a opinião de nossos clientes e funcionários. E há de nos estimular, enfim, para que consideremos seriamente o valor da experiência em oposição aos estudos puramente teóricos.”
Enfim, é importante para uma boa formação empreendedora a construção de um bom “vocabulário de padrões”, o que será possível de ser conseguido, através dos cursos que você freqüentar, das experiências que forem sendo adquiridas e das pessoas que forem sendo conhecidas e fizerem parte de uma grande rede de relacionamentos.
Deve estar permanentemente diagnosticando seu “empreendimento”, isto é, verificando os aspectos que devem ser melhorados na sua formação ou no seu comportamento, isto é, minimizando seus pontos fracos, fortalecendo cada vez mais seus pontos fortes e estando atento às ameaças e oportunidades que surgirem. O empreendedor deve sempre preparado para enfrentar as ameaças e aproveitar as oportunidades que surgirem.
Na realidade, todo o trabalho que se desenvolve é conseqüência dos conhecimentos adquiridos durante a vida e, da capacidade criativa de cada pessoa. É pela qualidade desse trabalho que o profissional será bem sucedido ou não, seja como empregado, profissional autônomo ou empresário.
É bom lembrar que, uma das características dos empreendedores de sucesso, é que, em meio a grandes ameaças, eles conseguem descobrir grandes oportunidades e estão sempre preparados para aproveitá-las.
Com certeza podemos afirmar que todo empresário é um empreendedor. Porém, ser empreendedor não significa obrigatoriamente ser um empresário. Podemos desenvolver nosso potencial empreendedor, mesmo trabalhando como empregado ou profissional autônomo.
São características de um empreendedor; estar sempre disposto a aprender, estabelecer objetivos, ser persistente, planejar seu futuro, procurar diagnosticar seus pontos fortes e pontos fracos, aproveitar oportunidades mesmo correndo risco moderado, preparar-se para enfrentar as ameaças, cumprir seus compromissos, inovar e procurar estar sempre informado sobre os assuntos de seu interesse profissional.
Aquele que tem um comportamento pró-ativo e que planeja sua evolução profissional para um longo prazo, pode estabelecer como meta, por exemplo, passar determinado tempo em uma, ou algumas corporações, para adquirir experiência. Somente após esse período de aprendizado, vai montar seu próprio negócio ou simplesmente investir em uma carreira solo.
Na realidade, a formação empreendedora deve funcionar como se cada um fosse o seu próprio negócio. Isto é, cada profissional deve procurar investir em suas características empreendedoras, visando fortalecer-se como profissional e estar sempre preparado para nos desafios.
No livro “Vencendo a crise” (Thomas J. Peters e Robert H. Waterman Jr. - Ed. Harbra – 1982), os autores descrevem o que eles chamam “vocabulário de padrões’. O que significa isso? Bem as pessoas ao longo de sua vida vão adquirindo conhecimentos e passando por experiências diversas. Com isto, vão formando referências de tal forma que cada pessoa vai tendo um vocabulário de padrões único.
Segundo os autores:
“O conceito de vocabulário de padrões há de nos ser útil de várias maneiras, à medida que formos refletindo sobre sua relevância para questão da excelência gerencial. Ele há de nos ajudar a confiar mais em nossa intuição no momento das decisões cruciais. Ele há de nos levar a pedir, com mais freqüência, a opinião de nossos clientes e funcionários. E há de nos estimular, enfim, para que consideremos seriamente o valor da experiência em oposição aos estudos puramente teóricos.”
Enfim, é importante para uma boa formação empreendedora a construção de um bom “vocabulário de padrões”, o que será possível de ser conseguido, através dos cursos que você freqüentar, das experiências que forem sendo adquiridas e das pessoas que forem sendo conhecidas e fizerem parte de uma grande rede de relacionamentos.
Deve estar permanentemente diagnosticando seu “empreendimento”, isto é, verificando os aspectos que devem ser melhorados na sua formação ou no seu comportamento, isto é, minimizando seus pontos fracos, fortalecendo cada vez mais seus pontos fortes e estando atento às ameaças e oportunidades que surgirem. O empreendedor deve sempre preparado para enfrentar as ameaças e aproveitar as oportunidades que surgirem.
Na realidade, todo o trabalho que se desenvolve é conseqüência dos conhecimentos adquiridos durante a vida e, da capacidade criativa de cada pessoa. É pela qualidade desse trabalho que o profissional será bem sucedido ou não, seja como empregado, profissional autônomo ou empresário.
É bom lembrar que, uma das características dos empreendedores de sucesso, é que, em meio a grandes ameaças, eles conseguem descobrir grandes oportunidades e estão sempre preparados para aproveitá-las.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Formação de equipes produtivas
Espaguete para o jantar
Imagine-se no lugar de um técnico que acabou de receber a incumbência de um novo projeto. Você conhece a gerente e a maioria do pessoal envolvido por seus nomes, mas é só. Seu primeiro dia no novo projeto é a próxima segunda-feira. Na quarta-feira anterior, você recebe uma ligação de sua futura chefe. Ela vai fazer uma reuniãozinha para as pessoas do novo projeto. Seria possível que você fosse a sua casa na quinta à noite para um jantar com o restante do grupo? Você não tem nenhum compromisso e quer conhecer o novo grupo, assim sendo, você aceita o convite.
Quando você chega lá, todo mundo está reunido na sala de estar, bebendo cerveja e contando estórias. Você se junta a eles e conta algumas de suas próprias estórias. O representante do cliente, que também foi convidado, fala um pouco sobre seu chefe de departamento. Todos tomam mais uma cerveja. Você começa a se perguntar sobre a comida. Não existe nenhum cheiro e nenhum sinal de que alguém esteja trabalhando na cozinha. Finalmente, sua chefe admite que não teve tempo de preparar o jantar, e sugere que toda a tripulação vá ao supermercado mais próximo e consiga algumas coisas para preparar uma refeição. “Eu acho que nós devemos ser capazes de preparar um espaguete juntos.”
Os efeitos da equipe começam a aparecer.
Lá vai você. No supermercado, vocês marcham como um grupo entre as prateleiras. Ninguém se aventura. A sua chefe parece não pensar em nada mais além do jantar. Ela papeia, ri e conta uma estória sobre o Imposto de Renda. Apesar de uma falta de direção generalizada, acabam sendo jogadas algumas coisas dentro do carrinho. Um já conseguiu dar conta da salada muito bem. Surge a idéia de se fazer um molho com mariscos, e como ninguém se opõe, dois de seus novos colegas começam a discutir detalhes do tal molho. Você decide fazer o seu famoso pão de alho. Outro pega uma garrafa de Chianti. Finalmente, chegam ao consenso de que o carrinho já tem coisas suficientes para o jantar.
De volta à casa, todos colocam as compras na cozinha e a chefe apanha outra cerveja e lhes conta sobre uma nova ferramenta de software. Aos poucos a festa começa a gravitar em torno da cozinha, onde alguns preparativos estão começando. Sua chefe não dá nenhuma orientação, mas ela se atira no trabalho de cortar as cebolas quando alguém sugere que precisa delas. Você começa a fritar o azeite e o alho. O molho borbulha e o espaguete está cozinhando. Gradualmente o jantar vai ficando pronto. Todos vocês comem até não poderem mais e depois compartilham a lavagem da louça.
O que está acontecendo aqui?
Até agora, ninguém cumpriu um único dia de trabalho para o projeto, mas vocês já tiveram seu primeiro sucesso como um grupo. O sucesso provoca sucesso, e a harmonia produtiva produz mais harmonia produtiva. Suas chances de se consolidarem em uma equipe significativa são aumentadas por esta primeira experiência juntos.
Apresentado desta forma, esse espaguete pode parecer uma tramóia do gerente. Mas não seria essa a sua impressão se você estivesse lá. Se você perguntasse à gerente em questão o que ela teria planejado para aquela noite, ela provavelmente teria respondido com toda a sinceridade, “Um jantar”. Um gerente natural tem um sentimento subconsciente do que é bom para a equipe. Esse sentimento pode governar as suas decisões durante todo o projeto. Toda a experiência é organizada em torno de sucessos pequenos e conjuntos. Você tem que olhar duas vezes antes de ver a mão do gerente em tudo isso, tudo parece acontecer espontaneamente.
Durante anos ouvimos variações da estória do espaguete sob formas diferentes e sobre gerentes diferentes. A linha geral é que os bons gerentes fornecem oportunidades freqüentes e fáceis para que a equipe seja bem-sucedida em conjunto. As oportunidades podem ser pequenos subprojetos piloto, ou demonstrações, ou simulações, tudo que dê rapidamente à equipe o hábito de fazer sucesso juntos. O melhor de todos os sucessos é aquele em que não há um gerenciamento evidente, no qual a equipe trabalha como uma agregação genial de camaradas. O melhor chefe é aquele que pode gerenciar continuamente sem que os membros saibam que estão sendo “gerenciados”. Esses chefes são vistos pelos colegas simplesmente como sortudos. Tudo parece dar certo para eles. Eles têm uma equipe de pessoas engrenadas, o projeto é desenvolvido rapidamente, e todos permanecem animados até o fim. Esses gerentes nunca suam. Tudo parece tão fácil que ninguém acredita que eles estejam gerenciando alguma coisa.
Texto extraído do livro PEOPLEWARE, escrito por Tom DeMarco e Timothy Lister, Ed. Makron Books McGraw-Hill, 1990.
Imagine-se no lugar de um técnico que acabou de receber a incumbência de um novo projeto. Você conhece a gerente e a maioria do pessoal envolvido por seus nomes, mas é só. Seu primeiro dia no novo projeto é a próxima segunda-feira. Na quarta-feira anterior, você recebe uma ligação de sua futura chefe. Ela vai fazer uma reuniãozinha para as pessoas do novo projeto. Seria possível que você fosse a sua casa na quinta à noite para um jantar com o restante do grupo? Você não tem nenhum compromisso e quer conhecer o novo grupo, assim sendo, você aceita o convite.
Quando você chega lá, todo mundo está reunido na sala de estar, bebendo cerveja e contando estórias. Você se junta a eles e conta algumas de suas próprias estórias. O representante do cliente, que também foi convidado, fala um pouco sobre seu chefe de departamento. Todos tomam mais uma cerveja. Você começa a se perguntar sobre a comida. Não existe nenhum cheiro e nenhum sinal de que alguém esteja trabalhando na cozinha. Finalmente, sua chefe admite que não teve tempo de preparar o jantar, e sugere que toda a tripulação vá ao supermercado mais próximo e consiga algumas coisas para preparar uma refeição. “Eu acho que nós devemos ser capazes de preparar um espaguete juntos.”
Os efeitos da equipe começam a aparecer.
Lá vai você. No supermercado, vocês marcham como um grupo entre as prateleiras. Ninguém se aventura. A sua chefe parece não pensar em nada mais além do jantar. Ela papeia, ri e conta uma estória sobre o Imposto de Renda. Apesar de uma falta de direção generalizada, acabam sendo jogadas algumas coisas dentro do carrinho. Um já conseguiu dar conta da salada muito bem. Surge a idéia de se fazer um molho com mariscos, e como ninguém se opõe, dois de seus novos colegas começam a discutir detalhes do tal molho. Você decide fazer o seu famoso pão de alho. Outro pega uma garrafa de Chianti. Finalmente, chegam ao consenso de que o carrinho já tem coisas suficientes para o jantar.
De volta à casa, todos colocam as compras na cozinha e a chefe apanha outra cerveja e lhes conta sobre uma nova ferramenta de software. Aos poucos a festa começa a gravitar em torno da cozinha, onde alguns preparativos estão começando. Sua chefe não dá nenhuma orientação, mas ela se atira no trabalho de cortar as cebolas quando alguém sugere que precisa delas. Você começa a fritar o azeite e o alho. O molho borbulha e o espaguete está cozinhando. Gradualmente o jantar vai ficando pronto. Todos vocês comem até não poderem mais e depois compartilham a lavagem da louça.
O que está acontecendo aqui?
Até agora, ninguém cumpriu um único dia de trabalho para o projeto, mas vocês já tiveram seu primeiro sucesso como um grupo. O sucesso provoca sucesso, e a harmonia produtiva produz mais harmonia produtiva. Suas chances de se consolidarem em uma equipe significativa são aumentadas por esta primeira experiência juntos.
Apresentado desta forma, esse espaguete pode parecer uma tramóia do gerente. Mas não seria essa a sua impressão se você estivesse lá. Se você perguntasse à gerente em questão o que ela teria planejado para aquela noite, ela provavelmente teria respondido com toda a sinceridade, “Um jantar”. Um gerente natural tem um sentimento subconsciente do que é bom para a equipe. Esse sentimento pode governar as suas decisões durante todo o projeto. Toda a experiência é organizada em torno de sucessos pequenos e conjuntos. Você tem que olhar duas vezes antes de ver a mão do gerente em tudo isso, tudo parece acontecer espontaneamente.
Durante anos ouvimos variações da estória do espaguete sob formas diferentes e sobre gerentes diferentes. A linha geral é que os bons gerentes fornecem oportunidades freqüentes e fáceis para que a equipe seja bem-sucedida em conjunto. As oportunidades podem ser pequenos subprojetos piloto, ou demonstrações, ou simulações, tudo que dê rapidamente à equipe o hábito de fazer sucesso juntos. O melhor de todos os sucessos é aquele em que não há um gerenciamento evidente, no qual a equipe trabalha como uma agregação genial de camaradas. O melhor chefe é aquele que pode gerenciar continuamente sem que os membros saibam que estão sendo “gerenciados”. Esses chefes são vistos pelos colegas simplesmente como sortudos. Tudo parece dar certo para eles. Eles têm uma equipe de pessoas engrenadas, o projeto é desenvolvido rapidamente, e todos permanecem animados até o fim. Esses gerentes nunca suam. Tudo parece tão fácil que ninguém acredita que eles estejam gerenciando alguma coisa.
Texto extraído do livro PEOPLEWARE, escrito por Tom DeMarco e Timothy Lister, Ed. Makron Books McGraw-Hill, 1990.
terça-feira, 18 de maio de 2010
As novas relações entre empregado e empresa
Tenho ouvido de vários gerentes conhecidos, queixas a respeito da falta de motivação de seus colaboradores e da falta de comprometimento dos mesmos com os objetivos da empresa em que trabalham. Em conversa com amigo, que exerce cargo de gerência em uma grande empresa, ele me contou que, durante a avaliação de um dos seus subordinados, por sinal bem avaliado, o mesmo o interrompeu e perguntou. “O que eu devo fazer para ser demitido?” Como se nada daquilo estivesse interessando. Esse gerente ficou chocado com a pergunta e com a falta de motivação demonstrada pelo colaborador.
Outros gerentes também têm demonstrado preocupações com a apatia demonstrada pelos subordinados. É como se considerassem o emprego como um mal necessário e transitório, para a sua sobrevivência. Logo que possível arranjariam uma maneira de serem demitidos e passariam um tempo gozando dos benefícios como, salário desemprego e FGTS.
Por que será que isso está ocorrendo nas empresas?
Vamos voltar um pouco no tempo período em que se o profissional tivesse muitos empregos registrados na carteira, era sinal de instabilidade, de que não permanecia no mesmo lugar durante muito tempo.. Portanto, a conclusão mais lógica era a de que se tratava de um mau empregado. Uma das características de um bom funcionário era a estabilidade na empresa. Permanecia longo tempo em seus empregos, se sentia parte da organização, desenvolvendo, na maior parte das vezes, sua carreira dentro da empresa.
Atualmente, as empresas estão sempre em processo de mudança, para que possam atender as necessidades do mercado em que atuam, muitas trocam frequentemente de propriedade e a cada troca, lá vem mudança. Qualquer crise é motivo de redução de pessoal, demissões. Esse cenário obriga as pessoas a trocas freqüentes de emprego, a desenvolver uma carreira pessoal, sem vínculos com determinada empresa. A ênfase passou a ser a carreira pessoal e não a estabilidade de um emprego duradouro.
Uma amiga trabalhava na mesma empresa há mais de 10 anos, quando resolveu submeter-se a um processo seletivo em outra empresa. Durante a seleção, na qual não foi aprovada, ouviu de um entrevistador, críticas sobre o fato de estar a muito tempo na mesma organização, o que tornava sua experiência muito homogênea, segundo ele. A conseqüência é que isto pode indicar uma pessoa acomodada, sem perfil empreendedor, sem grandes ambições para a sua carreira.
Sem expectativa de um emprego duradouro, as pessoas vão se adaptando a nova situação, como consequência acabam perdendo o vínculo com a empresa para qual estão trabalhando. Se posso ser demitido a qualquer momento.....porque vestir a camisa da empresa.
Os mais preparados e adaptados ao novo cenário, utilizam seu emprego para aprender e preparar-se para desenvolver sua carreira, na própria corporação ou não. Isto é, se permanecerem na empresa vão construindo sua carreira de maneira sólida, se saírem, estarão prontos para enfrentar novos desafios. Paralelamente, vão buscando aprimorar sua formação para melhorar sua qualificação e manter-se atualizado em relação às necessidades do mercado.
Com isso, seu desenvolvimento profissional, ocorrerá independentemente da empresa em que trabalha. Ao mesmo tempo, é importante dedicar-se à sua atividade atual, aproveitar o que a empresa oferece, para aprender e crescer. Manter um bom relacionamento com os demais colegas para formar uma boa rede de apoio também pode ajudá-lo, inclusive, a vencer novos desafios.
Quanto aos gerentes, seu maior desafio é motivar esse novo empregado. Entendo que a melhor forma de atingir esse objetivo é buscar ganhar a confiança do colaborador, criar um ambiente de lealdade mútua e respeito. Usar seu próprio exemplo para mostrar as vantagens de executar um bom trabalho, informar sobre as oportunidades que a empresa oferece para os que se destacam. É importante, passar aos colaboradores toda a informação possível, a respeito dos planos e projetos da organização. Fazer com que ele se sinta parte dos planos da empresa. Mostrar que, apesar de também correr risco de perder o emprego, mantém-se motivado e busca cada vez mais a sua qualificação profissional. Agindo assim, estará preparado para vencer as ameaças e aproveitar melhor as oportunidades que o mercado de trabalho oferece.
Cabe ao gerente usar sua capacidade de liderar e motivar pessoas para convencer os seus colaboradores da importância de transformar a ameaça do desemprego em oportunidade de crescimento profissional, desenvolvendo um bom trabalho.A manutenção de um bom clima organizacional também é fundamental para criar equipes produtivas e motivadas.
Outros gerentes também têm demonstrado preocupações com a apatia demonstrada pelos subordinados. É como se considerassem o emprego como um mal necessário e transitório, para a sua sobrevivência. Logo que possível arranjariam uma maneira de serem demitidos e passariam um tempo gozando dos benefícios como, salário desemprego e FGTS.
Por que será que isso está ocorrendo nas empresas?
Vamos voltar um pouco no tempo período em que se o profissional tivesse muitos empregos registrados na carteira, era sinal de instabilidade, de que não permanecia no mesmo lugar durante muito tempo.. Portanto, a conclusão mais lógica era a de que se tratava de um mau empregado. Uma das características de um bom funcionário era a estabilidade na empresa. Permanecia longo tempo em seus empregos, se sentia parte da organização, desenvolvendo, na maior parte das vezes, sua carreira dentro da empresa.
Atualmente, as empresas estão sempre em processo de mudança, para que possam atender as necessidades do mercado em que atuam, muitas trocam frequentemente de propriedade e a cada troca, lá vem mudança. Qualquer crise é motivo de redução de pessoal, demissões. Esse cenário obriga as pessoas a trocas freqüentes de emprego, a desenvolver uma carreira pessoal, sem vínculos com determinada empresa. A ênfase passou a ser a carreira pessoal e não a estabilidade de um emprego duradouro.
Uma amiga trabalhava na mesma empresa há mais de 10 anos, quando resolveu submeter-se a um processo seletivo em outra empresa. Durante a seleção, na qual não foi aprovada, ouviu de um entrevistador, críticas sobre o fato de estar a muito tempo na mesma organização, o que tornava sua experiência muito homogênea, segundo ele. A conseqüência é que isto pode indicar uma pessoa acomodada, sem perfil empreendedor, sem grandes ambições para a sua carreira.
Sem expectativa de um emprego duradouro, as pessoas vão se adaptando a nova situação, como consequência acabam perdendo o vínculo com a empresa para qual estão trabalhando. Se posso ser demitido a qualquer momento.....porque vestir a camisa da empresa.
Os mais preparados e adaptados ao novo cenário, utilizam seu emprego para aprender e preparar-se para desenvolver sua carreira, na própria corporação ou não. Isto é, se permanecerem na empresa vão construindo sua carreira de maneira sólida, se saírem, estarão prontos para enfrentar novos desafios. Paralelamente, vão buscando aprimorar sua formação para melhorar sua qualificação e manter-se atualizado em relação às necessidades do mercado.
Com isso, seu desenvolvimento profissional, ocorrerá independentemente da empresa em que trabalha. Ao mesmo tempo, é importante dedicar-se à sua atividade atual, aproveitar o que a empresa oferece, para aprender e crescer. Manter um bom relacionamento com os demais colegas para formar uma boa rede de apoio também pode ajudá-lo, inclusive, a vencer novos desafios.
Quanto aos gerentes, seu maior desafio é motivar esse novo empregado. Entendo que a melhor forma de atingir esse objetivo é buscar ganhar a confiança do colaborador, criar um ambiente de lealdade mútua e respeito. Usar seu próprio exemplo para mostrar as vantagens de executar um bom trabalho, informar sobre as oportunidades que a empresa oferece para os que se destacam. É importante, passar aos colaboradores toda a informação possível, a respeito dos planos e projetos da organização. Fazer com que ele se sinta parte dos planos da empresa. Mostrar que, apesar de também correr risco de perder o emprego, mantém-se motivado e busca cada vez mais a sua qualificação profissional. Agindo assim, estará preparado para vencer as ameaças e aproveitar melhor as oportunidades que o mercado de trabalho oferece.
Cabe ao gerente usar sua capacidade de liderar e motivar pessoas para convencer os seus colaboradores da importância de transformar a ameaça do desemprego em oportunidade de crescimento profissional, desenvolvendo um bom trabalho.A manutenção de um bom clima organizacional também é fundamental para criar equipes produtivas e motivadas.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O estresse é um mal necessário ?
Podemos conceituar estresse como uma sobrecarga em um sistema. Essa sobrecarga pode causar danos ao sistema e até abreviar seu ciclo de vida. Em contrapartida, um sistema adaptado, é um sistema sem estresse.
Em outras palavras, quando necessita de um excesso de esforço, o sistema pode entrar em estresse, o que é um risco para sua continuidade. Para solucionar o problema, o sistema busca adaptar-se à nova situação, para manter-se estável e sem riscos.
Como o mais complexo de todos os sistemas conhecidos, o ser humano também procede dessa forma, isto é, quando se encontra em uma situação de sobrecarga, procura uma maneira de adaptar-se o mais rápido possível. Nem sempre a solução adotada é a melhor. Por exemplo: Um caminhoneiro que dirige um número excessivo de horas sem descansar, entra em estresse. No caso, a melhor solução seria parar e descansar, mas como tem prazos a cumprir, prefere recorrer a drogas para permanecer acordado. Nesse caso, o sistema continua com a sobrecarga e problema pode piorar mais ainda.
Podemos afirmar, que uma pessoa bem adaptada ao seu estilo de vida, é uma pessoa sem estresse. Essa situação envolve estabilidade tanto quantitativa como qualitativa, isto é, a pessoa desenvolve atividades sem mudanças bruscas, sem excessos, sem crises.
Será que devemos procurar evitar o estresse a qualquer custo? Buscar uma vida de adaptação? Evitar crises, excessos, mudanças bruscas?
É claro que é impossível ter uma vida sem estresse. Se quisermos crescer, exercer nossa criatividade, buscar nossa realização profissional e pessoal, devemos conviver com um nível de estresse. As mudanças que muitas vezes temos que fazer em nossas vidas produzirão, com certeza, desconforto e sobrecarga. Porém, é impossível viver de outra forma, se quisermos crescer. O que devemos procurar é manter esse estresse num nível que não comprometa nossa saúde, pelo menos até que nos adaptemos à nova situação. Enfrentar as mudanças necessárias e encontrar maneiras adequadas de lidar com o nosso estresse, para que ele não ponha em risco nossa sobrevivência. No meu ponto de vista, o ideal é alternar períodos de estresse com períodos de adaptação buscando sempre manter-se em equilíbrio.
O pai de Michelangelo era um criador de ovelhas. Ele queria que o filho seguisse o mesmo caminho. Com certeza caso seguisse a carreira do pai, teria uma vida menos agitada. Porém, não teria nos deixado suas grandes obras, entre elas as pinturas da Capela Sistina..
Com certeza, ao mesmo tempo em que põe em risco a nossa saúde, o estresse pode tornar-se parte do nosso crescimento pessoal, do exercício da nossa criatividade e, das grandes mudanças que fazemos em nossas vidas. Saber dosá-lo e controlá-lo é o que temos que aprender a fazer.
Em outras palavras, quando necessita de um excesso de esforço, o sistema pode entrar em estresse, o que é um risco para sua continuidade. Para solucionar o problema, o sistema busca adaptar-se à nova situação, para manter-se estável e sem riscos.
Como o mais complexo de todos os sistemas conhecidos, o ser humano também procede dessa forma, isto é, quando se encontra em uma situação de sobrecarga, procura uma maneira de adaptar-se o mais rápido possível. Nem sempre a solução adotada é a melhor. Por exemplo: Um caminhoneiro que dirige um número excessivo de horas sem descansar, entra em estresse. No caso, a melhor solução seria parar e descansar, mas como tem prazos a cumprir, prefere recorrer a drogas para permanecer acordado. Nesse caso, o sistema continua com a sobrecarga e problema pode piorar mais ainda.
Podemos afirmar, que uma pessoa bem adaptada ao seu estilo de vida, é uma pessoa sem estresse. Essa situação envolve estabilidade tanto quantitativa como qualitativa, isto é, a pessoa desenvolve atividades sem mudanças bruscas, sem excessos, sem crises.
Será que devemos procurar evitar o estresse a qualquer custo? Buscar uma vida de adaptação? Evitar crises, excessos, mudanças bruscas?
É claro que é impossível ter uma vida sem estresse. Se quisermos crescer, exercer nossa criatividade, buscar nossa realização profissional e pessoal, devemos conviver com um nível de estresse. As mudanças que muitas vezes temos que fazer em nossas vidas produzirão, com certeza, desconforto e sobrecarga. Porém, é impossível viver de outra forma, se quisermos crescer. O que devemos procurar é manter esse estresse num nível que não comprometa nossa saúde, pelo menos até que nos adaptemos à nova situação. Enfrentar as mudanças necessárias e encontrar maneiras adequadas de lidar com o nosso estresse, para que ele não ponha em risco nossa sobrevivência. No meu ponto de vista, o ideal é alternar períodos de estresse com períodos de adaptação buscando sempre manter-se em equilíbrio.
O pai de Michelangelo era um criador de ovelhas. Ele queria que o filho seguisse o mesmo caminho. Com certeza caso seguisse a carreira do pai, teria uma vida menos agitada. Porém, não teria nos deixado suas grandes obras, entre elas as pinturas da Capela Sistina..
Com certeza, ao mesmo tempo em que põe em risco a nossa saúde, o estresse pode tornar-se parte do nosso crescimento pessoal, do exercício da nossa criatividade e, das grandes mudanças que fazemos em nossas vidas. Saber dosá-lo e controlá-lo é o que temos que aprender a fazer.
sábado, 24 de abril de 2010
ISTO É GERENCIAMENTO
Certo dia um colaborador não foi trabalhar porque estava fortemente gripado em casa. Porém, houve um sério problema na empresa, que só poderia ser resolvido por ele. Tentaram solucionar à distância, mas não conseguiram. Então, mesmo doente o colaborador resolveu ir pessoalmente ao trabalho resolver o problema. Enquanto trabalhava na solução, seu gerente passou por ali, perguntou como estava o trabalho e retirou-se, voltando depois de um tempo, com uma xícara de chá, bem quente que ofereceu ao colaborador. Após concluir o serviço, o empregado agradeceu seu gerente pelo chá e perguntou-lhe como encontrava tempo para tais coisas, com todo o trabalho de gerenciamento que tinha para fazer. O gerente sorrindo respondeu: Porque isto é gerenciamento.
Esse gerente sabia que o principal papel do gerente é tornar possível que as pessoas trabalhem, ajudando-as no que for preciso para que atinjam seus objetivos. Que as pessoas sob pressão apenas aumentam a quantidade e não a qualidade de seu trabalho.
Esse gerente sabia que o principal papel do gerente é tornar possível que as pessoas trabalhem, ajudando-as no que for preciso para que atinjam seus objetivos. Que as pessoas sob pressão apenas aumentam a quantidade e não a qualidade de seu trabalho.
terça-feira, 2 de março de 2010
A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS
Entendo que as pessoas que definem seus objetivos com clareza e realismo, conseguem melhores resultados do que aquelas que simplesmente vão levando sua vida no estilo "matando um leão a cada dia".
Ao definir seus objetivos é fundamental seguir algumas regras tais como; que sejam viáveis, que envolvam sacrifícios e perdas, definir quais são os caminhos que devem ser seguidos para atingí-los, qual é o prazo.
Se for possível atingir seus objetivos sem esforços então não há necessidade de definí-los, basta deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Se, por exemplo, for definido como objetivo, fazer uma faculdade ou um mestrado, certamente você terá que abrir mão de alguns prazeres para atingí-lo. Vai ter que dedicar um tempo precioso, vai ter que pagar e com isto deixar de gastar em outras coisas e, com certeza, fará muitos outros sacrifícios para concluir o desejado curso. Entretanto, se o curso foi planejado com cuidado e correspondeu suas expectativas, então vai contribuir para a sua realização pessoal e/ou profissional.
Definir prazos é importante para saber se o caminho a ser seguido está correto, se os esforços despendidos são os necessários, etc..
Objetivos inviáveis são utopias, sonhos, desculpa para o fracasso. Objetivos viáveis, são uma forma de planejar sua vida e conseguir o que deseja.
Ao definir seus objetivos é fundamental seguir algumas regras tais como; que sejam viáveis, que envolvam sacrifícios e perdas, definir quais são os caminhos que devem ser seguidos para atingí-los, qual é o prazo.
Se for possível atingir seus objetivos sem esforços então não há necessidade de definí-los, basta deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Se, por exemplo, for definido como objetivo, fazer uma faculdade ou um mestrado, certamente você terá que abrir mão de alguns prazeres para atingí-lo. Vai ter que dedicar um tempo precioso, vai ter que pagar e com isto deixar de gastar em outras coisas e, com certeza, fará muitos outros sacrifícios para concluir o desejado curso. Entretanto, se o curso foi planejado com cuidado e correspondeu suas expectativas, então vai contribuir para a sua realização pessoal e/ou profissional.
Definir prazos é importante para saber se o caminho a ser seguido está correto, se os esforços despendidos são os necessários, etc..
Objetivos inviáveis são utopias, sonhos, desculpa para o fracasso. Objetivos viáveis, são uma forma de planejar sua vida e conseguir o que deseja.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
EQUILÍBRIO FINANCEIRO E QUALIDADE DE VIDA
Será que é possível ter uma boa qualidade de vida, sem ter saúde financeira? Até que ponto manter um fluxo de caixa equilibrado contribui para a felicidade das pessoas?
Muitas pessoas passam a vida convivendo com dificuldades financeiras, comprando mais do que podem pagar, rolando dívidas, fazendo empréstimos, fugindo de credores, etc... Observe que estamos tratando de pessoas honestas, que gostariam de equilibrar seu caixa e, não de "caloteiros" que, pura e simplesmente, não pagam suas contas e vão vivendo de "golpe em golpe".
Também não importa a quantidade de dinheiro que disponham ao mês, podendo ganhar pouco ou muito. Com certeza, vamos encontrar pessoas com esse perfil em todas as camadas da pirâmide social.
Em meu entendimento, controlar seu dinheiro de forma adequada, priorizar gastos e planejar suas compras pode contribuir em muito para que a pessoa viva melhor e mais saudável.
Será que isso é muito difícil? Como fazer?
A base para um progresso nessa área, é a disciplina e a organização. Para começar, anote seus gastos, separando-os em grupos tais como; alimentação, vestuário, carro, etc... Procure saber onde é possível economizar. Renegocie suas dívidas, procurando eliminar aquelas com juros mais altos, tipo cheque especial e cartão de crédito. Procure diminuir cada vez mais os itens juros e multas. Planeje suas compras com antecedência, de preferência junte dinheiro para comprar à vista, aproveitando promoções e ofertas especiais.
Uma forma de perceber o volume de seus gastos, é sempre anualizar os valores. Por exemplo: Vou aceitar essa proposta porque custa "apenas" R$ 20,00, por mês e com este valor não consigo fazer nada. Na realidade, você irá gastar R$ 240,00, por ano e, com este valor, dá para comprar muita coisa.
Portanto, mantenha seu fluxo de caixa equilibrado e viva feliz.
Muitas pessoas passam a vida convivendo com dificuldades financeiras, comprando mais do que podem pagar, rolando dívidas, fazendo empréstimos, fugindo de credores, etc... Observe que estamos tratando de pessoas honestas, que gostariam de equilibrar seu caixa e, não de "caloteiros" que, pura e simplesmente, não pagam suas contas e vão vivendo de "golpe em golpe".
Também não importa a quantidade de dinheiro que disponham ao mês, podendo ganhar pouco ou muito. Com certeza, vamos encontrar pessoas com esse perfil em todas as camadas da pirâmide social.
Em meu entendimento, controlar seu dinheiro de forma adequada, priorizar gastos e planejar suas compras pode contribuir em muito para que a pessoa viva melhor e mais saudável.
Será que isso é muito difícil? Como fazer?
A base para um progresso nessa área, é a disciplina e a organização. Para começar, anote seus gastos, separando-os em grupos tais como; alimentação, vestuário, carro, etc... Procure saber onde é possível economizar. Renegocie suas dívidas, procurando eliminar aquelas com juros mais altos, tipo cheque especial e cartão de crédito. Procure diminuir cada vez mais os itens juros e multas. Planeje suas compras com antecedência, de preferência junte dinheiro para comprar à vista, aproveitando promoções e ofertas especiais.
Uma forma de perceber o volume de seus gastos, é sempre anualizar os valores. Por exemplo: Vou aceitar essa proposta porque custa "apenas" R$ 20,00, por mês e com este valor não consigo fazer nada. Na realidade, você irá gastar R$ 240,00, por ano e, com este valor, dá para comprar muita coisa.
Portanto, mantenha seu fluxo de caixa equilibrado e viva feliz.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A HORA DE PARAR.
Quando se completa o ciclo profissional chega o momento de questionar-se: Qual é a hora de parar? Agora, que ainda tenho saúde e condições de realizar sonhos antes impossíveis? Viajar, conhecer lugares que sempre tive vontade? Fazer coisas que gosto, sem o compromisso e o desgaste da obrigação?
Mas também tem o outro lado da questão. Como parar de trabalhar agora, que ainda tenho boa saúde e condições de produzir? Por que parar, se sinto que ainda posso executar as tarefas que estava habituado, da mesma forma e. com mais experiência?
Na verdade, vai chegar uma hora que todos vamos parar, seja por vontade própria ou não.Será que é melhor escolher a sua hora? Ou deixar que ela aconteça naturalmente?
Mas também tem o outro lado da questão. Como parar de trabalhar agora, que ainda tenho boa saúde e condições de produzir? Por que parar, se sinto que ainda posso executar as tarefas que estava habituado, da mesma forma e. com mais experiência?
Na verdade, vai chegar uma hora que todos vamos parar, seja por vontade própria ou não.Será que é melhor escolher a sua hora? Ou deixar que ela aconteça naturalmente?
PEQUENAS EMPRESAS - O SÓCIO
O SÓCIO
O objetivo deste estudo consiste em relatar e analisar problemas que ocorrem em pequenas e micro empresas compostas por sociedade de duas ou mais pessoas, abordando aspectos relativos a conflitos decorrentes do relacionamento entre essas pessoas, bem como propor algumas medidas, ou atitudes, que possam contribuir para a minimização ou solução desses conflitos.
Certamente, muitas organizações empresarias deste porte, formadas por sócios, têm sucesso e funcionam por anos a fio, atingindo plenamente, os seus objetivos iniciais. Neste caso, os parceiros conseguem resolver satisfatoriamente seus conflitos, permanecendo focados nos objetivos maiores da empresa. A transparência no relacionamento e a correta divisão de atribuições e responsabilidades no negócio, são facilitadores dessa harmonia.
A clareza na definição do papel de cada um, a existência de registros e controles eficazes, possibilitam o fornecimento de informações corretas e em tempo aos sócios, tornando possível detectar a existência de desvios a tempo de corrigi-los evitando que seus efeitos tragam maiores danos à organização.
Planejar com cuidado o negócio também envolve buscar informações sobre seu futuro parceiro. Mesmo que o conheça pessoalmente, é importante trocar idéias sobre seus objetivos em relação ao negócio que está se iniciando. Quais são seus objetivos de longo prazo? O que realmente pretende com o negócio? Até que ponto vai o seu comprometimento com a nova atividade?
Se o futuro sócio é pessoa distante do seu relacionamento pessoal, então torna-se mais importante ainda conhecer seus objetivos, seu entusiasmo com o negócio. Buscar informações sobre seu comportamento anterior nas atividades que desenvolveu.
Enfim, quanto mais os sócios conhecerem-se, maior será a probabilidade de que conseguirão resolver seus conflitos de interesses satisfatoriamente para ambos.
Existem casos em que o sócio é amigo de longa data, jogam futebol juntos, têm ativa participação social conjunta. Porém, profissionalmente, quase não se conhecem. Por isso, é importante não misturar as coisas. O parceiro de festas, às vezes, só bom parceiro em festas e não aquela pessoa ideal para tocar um empreendimento com a inspiração e a transpiração necessárias.
Iniciaremos nossa análise, abordando os problemas advindos da formação da sociedade e do convívio entre os sócios. Posteriormente, tentaremos buscar alguns traços comuns nas empresas que tem uma sociedade duradoura e próspera.
Certa vez, a galinha convidou o porco para montarem uma sociedade. O objetivo da parceria era a produção de presunto com ovos. Ora, a parte que tocava à galinha era simples e não lhe causaria nenhum mal. Por outro lado, o porco teria que sacrificar-se, literalmente, para fornecer sua parte no produto. Seria esta sociedade justa? As partes estariam igualmente comprometidas? Com certeza, esta parceria não teria futuro.
Será que, ao ser convidado para montar uma sociedade, não lhe caberia o papel do porco? E se, ao contrário a você coubesse o papel da galinha, a sociedade teria futuro? Valeria a pena investir numa parceria desse tipo?
Certamente, que uma sociedade, para dar certo, tem que atender as expectativas dos participantes, possibilitar ganhos mútuos, atender interesses individuais, muitas vezes conflitantes. Os problemas começam a tornarem-se sérios quando um dos sócios sente-se prejudicado em relação à divisão das atividades e/ou dos recursos. Os motivos podem ser os mais diversos como veremos mais adiante.A tendência é que essa insatisfação afete, não apenas o relacionamento, mas sua desmotivação e mal estar podem impedir o desenvolvimento do negócio, tornando-se um entrave que pode levar desde a simples estagnação até ao fechamento prematuro, mesmo que, aparentemente, trate-se de um negócio com bom potencial para crescer.
Os conflitos entre sócios podem canalizar energias para aspectos que não interessam ao negócio, com a perda do foco principal da empresa, ora, se em paz já é difícil enfrentar, impostos, concorrência, gestão financeira, manutenção dos clientes e busca de novas opções, atualização tecnológica, preparando-se para o futuro incerto, imaginem em situação onde maior parte do tempo é dedicada à administração dos conflitos. O tempo passa a ser consumido nas desavenças, as atenções ficam voltadas para detalhes que fogem aos objetivos da empresa, o esforço inútil. Desta forma o negócio vai ficando cada vez mais em segundo plano, o resultado é perda do espaço empresarial, redução de receita, perda de clientes, etc.
Será que é possível, compatibilizar os interesses conflitantes, minimizar os prejuízos causados pela dificuldade de relacionamento dos sócios?
Em nosso entendimento, como acontece com a saúde das pessoas, se a doença for diagnosticada de forma correta e cedo, é mais fácil encontrar a cura. Nas empresas, se os problemas forem diagnosticados a tempo e atacados com eficácia, o processo pode ter solução rápida, sem que haja grandes prejuízos para a empresa e de forma que preserve o relacionamento entre as pessoas, principalmente quando trata-se de pessoas com ligações afetivas. Melhor ainda se houver uma prevenção adequada, eliminar o conflito, antes que aflore, que traga dano ao bom relacionamento entre os parceiros.
Visando simplificar a explicação, consideraremos em neste estudo, a existência de apenas dois sócios, o que sabemos não é regra geral. Entretanto, entendemos que, além de tornar mais fácil a compreensão, os problemas encontrados neste tipo de sociedade, refletem situações típicas, que ocorrem, mesmo em empresas com um número maior de sócios.
Normalmente, quando um empreendedor procura uma outra pessoa para montar uma sociedade, busca alguém que preencha alguma função a qual o empreendedor não se sente em condições de executar plenamente ou alguém com recursos disponíveis para completar o montante necessário para iniciar o empreendimento. Outra possibilidade é a escolha de um amigo ou familiar para, em conjunto, tocarem o empreendimento, às vezes pai e filho, marido e mulher, amigos, irmãos, etc.
Muitas vezes, o sonho de construir um negócio próspero com ganhos para ambos transforma-se em pesadelo, com grave reflexo, inclusive no relacionamento inicialmente existente. Casais separam-se, familiares viram inimigos, etc.
Muitos casos só conseguem ter um final após longo processo judicial, agravando ainda mais o relacionamento. Durante esse processo muitas vezes o empreendimento vai sendo deixado de lado, o que interessa é “vencer a guerra”, causar danos ao “inimigo”. Em resumo, quando a negociação passa a ser do tipo “perde-perde”, mais vale causar prejuízo ao adversário do que obter ganho pessoal.
E como fica a empresa durante esse processo? Como fica seu planejamento de médio e longo prazo? Será que a concorrência, sabendo do que está acontecendo, vai deixar passar essa oportunidade em vão?
Como é possível voltar seus esforços para o externo, se o interno está desarrumado, em conflito?
Custos com advogados, despesas judiciais, tempo dedicado às audiências e reuniões e outros esforços dedicados ao processo, tudo representa recurso tirado da empresa e, tempo, dinheiro, atenção, etc.
Certamente, como nas patologias humanas, o menor custo sempre é a prevenção. Nem sempre é possível prevenir, porém, todo o esforço realizado no planejamento e busca de informações, antes da efetivação da sociedade, compensa, se conseguir diminui a probabilidade de conflito tão grave.
Por que isso acontece?
Podemos encontrar uma grande variedade de causas que levam uma sociedade a esse desfecho, tipo “divórcio litigioso”, e que, podem levar um bom negócio a perder oportunidade de desenvolvimento ou, simplesmente, encerrar prematuramente, suas atividades.
A seguir, tentaremos identificar as principais causas geradoras de conflitos e analisar cada uma delas.
Conhecendo a causa é possível prevenir grande parte dos conflitos.
Entre as principais causas, podemos citar:
• Conduta inadequada por parte de um dos sócios;
• Conflitos emocionais;
• Problemas com terceiros;
• Desempenho Insatisfatório;
• Conflito de interesses entre os sócios;
Acontece quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas da sociedade, o que pode ocorrer tanto por falta de empenho ou capacidade para desenvolver o negócio ou por atitudes mais graves, tais como desvio de recursos, má fé na gestão financeira da empresa, ou outro tipo qualquer de falcatrua.
Quando o trabalho árduo e a responsabilidade pela administração do empreendimento recaem com mais carga sobre um dos sócios e o outro não atua no mesmo ritmo, o primeiro sente-se explorado e frustrado por ter que trabalhar enquanto o “boa vida” pouco faz, mas na hora de receber está sempre pronto pra dividir os resultados. A conseqüência é a deterioração das relações e, em último caso, o fim da sociedade.
A melhor solução para este caso, é a saída negociada, isto é buscar um acordo aceitável, antes que o relacionamento chegue a um ponto onde não é mais possível encontrar uma solução tipo “ganha-ganha”, isto é, onde ambas as partes saiam satisfeitas, cedendo em alguns pontos porém, preservando seus principais objetivos, sem desgaste maior no relacionamento entre as partes, sem custas judiciais ou conflitos mais graves. Tão logo surja o problema a parte que sente-se prejudicada deve procurar o outro a fim de buscar uma solução negociada. È bem mais fácil encontrar uma solução negociada antes que o relacionamento pessoal se deteriore a tal ponto, que não é mais possível chegar a um consenso.
Também não é incomum, a conduta desonesta por parte de um dos sócios. Neste caso, as conseqüências podem ser mais graves. De repente o sócio prejudicado se depara com dívidas não pagas, receitas não contabilizadas com sérias conseqüências para o negócio e até para sua vida pessoal.
Neste caso, a falta de controles formais adequados e, muitas vezes, de preparo do sócio prejudicado, facilita o trabalho do “esperto”, que se aproveita da confusão estabelecida pelo descontrole para desviar os recursos sem que o outro perceba.
A formalização adequada da sociedade, através de contratos bem feitos, que estabeleçam compromissos de cada parte, bem como, a adoção de controles eficazes para o gerenciamento do negócio que permita a transparência das atividades empresariais e o devido acompanhamento desses controles pelos sócios, minimizam os riscos e facilitam o relacionamento entre aos parceiros. O excesso de confiança e a omissão formam o ambiente propício para quem deseja agir de má fé, sem que o sócio perceba.
Uma das maneiras mais eficazes de reduzir os riscos é buscar o máximo de informações possíveis, antes de formalizar a sociedade. Procure conhecer o sócio, descubra quais foram suas atividades anteriores. Qual o seu conceito no mercado e junto à antigos sócios ou conhecidos. Conversar com o candidato a parceiro para conhecer sua visão do negócio, seus planos para o futuro. Procure descobrir quais são seus reais interesses na formação da sociedade. É natural e lógico que as informações obtidas nem sempre serão corretas e verdadeiras. Entretanto, a análise das diversas fontes e o cruzamento dessas informações obtidas, permitirão formar uma opinião a respeito do possível sócio.
A partir daí, é possível tomar uma decisão com menor risco, Certamente, que é possível reduzir riscos, não eliminá-lo. È uma questão de aumentar a probabilidade de que problemas futuros não ocorram.
Principalmente, quando se trata de pessoas, muitas vezes, somos levados a julgar erroneamente, ou pela esperteza do outro, ou pela nossa boa fé e falha na análise correta das informações obtidas ou ainda, utilizando fontes não confiáveis ou tendenciosas.
Informações corretas levam a avaliações mais precisas. Porém, informações incorretas ou falsas são mais nocivas do que a falta de informações. Portanto, é muito importante certificar-se da correção das informações obtidas e de sua qualidade, somente assim, a decisão final recairá sobre a melhor alternativa possível.
Quando o empreendimento é dividido entre familiares ou outras pessoas com vínculo emocional, pode parecer que não haja necessidade de exercer um controle mais rígido sobre os negócios. Porém, é aí que reside o perigo. A confiança cega no parceiro pode levar a uma percepção tardia do problema, com danos irreparáveis ao negócio, podendo inclusive afetar drasticamente a vida financeira do lesado.
Portanto, controle não é desconfiança, é apenas uma forma adequada de acompanhar os processos empresarias de maneira a evitar que os problemas apareçam tarde demais.
Além disso, um empreendimento bem controlado tende a atingir melhores resultados, tem seu planejamento facilitado, mostrando oportunidades e antecipando crises a tempo de evitar prejuízos maiores.
Conflitos emocionais
São mais comuns quando envolvem pessoas da mesma família, casais, pais e filhos, irmãos, etc.
Quando as pessoas que têm convívio familiar ou de parentesco, resolvem criar um empreendimento e participarem juntas do mesmo, não se dão conta de que o relacionamento pessoal pode afetar o relacionamento profissional e o contrário também pode acontecer.
De repente, os problemas do trabalho são trazidos para o convívio familiar e os conflitos familiares também podem ser levados para o trabalho. O relacionamento fica por conseqüência, mais intenso e os conflitos são potencializados da mesma forma.
Pequenos problemas no relacionamento entre familiares que atuam juntos em um negócio, podem ter repercussão maior se esses conflitos forem levados para o relacionamento familiar. Essa interferência de problemas profissionais nas relações familiares pode trazer desgastes no relacionamento pessoal que poderão acarretar prejuízos tanto nas relações profissionais como nas afetivas.
Para evitar que isso aconteça, é necessário que os parceiros estabeleçam um “pacto” entre si. O objetivo desse acordo prévio é a correta separação dos papéis. Por exemplo, não levar problemas profissionais para serem abordados no ambiente familiar e não tratar de conflitos “caseiros”, no local de trabalho. Isto significa simplesmente não misturar os assuntos. As desavenças de trabalho devem ser resolvidas na empresa e os conflitos domésticos dentro de casa.
O estabelecimento de certas regras pode ajudar a manter um clima pessoal e profissional que não atrapalhe, tanto o desenvolvimento de seu negócio como o relacionamento familiar.
Já conheci empresas, cujos sócios, marido e mulher, romperam os laços matrimoniais e continuaram a exercer suas atividades profissionais juntos. Apesar da separação do casal mesmo depois de longo tempo, quando os sócios já tinham refeito suas vidas com outros cônjuges, a parceria comercial continuou estável, sem que houvesse solução de continuidade para o negócio, ao contrário, a empresa em questão, continuou prosperando e trazendo bons lucros aos sócios.
Problemas com terceiros
Quando surge a necessidade de agregar mais um profissional na empresa, o correto seria procurar pessoa com o perfil adequado à atividade. Resolver uma carência profissional de forma profissional. Porém, muitas vezes não é isto que ocorre.
Um familiar em idade de trabalhar ou que está tendo problemas de comportamento, sem perfil adequado à atividade, despreparado para o exercício da função, de repente é escolhido para trabalhar na empresa.
Este tipo de problema ocorre quando surge um terceiro interessado no negócio, na maioria das vezes, indicado por um dos sócios, por ser seu familiar, amigo, enfim, da confiança de apenas um dos parceiros.
O exemplo mais comum é a inclusão de um filho quando este atinge a idade pra trabalhar, o pai na esperança de começar a preparar a sua sucessão resolve dar uma oportunidade ao filho. Entretanto, muitas vezes esse familiar não tem a resposta necessária do ponto de vista funcional. Mesmo assim, na esperança que haja uma melhora, o pai insiste em mantê-lo na empresa. Porém, sua atuação, além de não corresponder as necessidades da empresa, representa custo adicional e influência no comportamento do familiar. Há um certo desequilíbrio no relacionamento entre os antigos sócios. O outro parceiro, tem uma visão mais isenta e percebe a ineficácia do desempenho e os conseqüentes prejuízos trazidos à organização. Entretanto, sente-se constrangido em tratar do assunto com o sócio, para não criar animosidade entre eles. A insistência vai provocando desgaste ao relacionamento e, não raras vezes, danos ao empreendimento.
Em nossas atividades de consultoria, encontramos um exemplo deste tipo de problema, que praticamente liquidou com a sociedade.
Na empresa eram sócios dois irmãos. O filho de um dos sócios começou a apresentar problemas de comportamento, inclusive com o uso de drogas ilegais. O pai com o intuito de controlar melhor o filho e, ao mesmo tempo, afastá-lo do convívio de más companhias, colocou-o a trabalhar na empresa. O que aconteceu é que além de não melhorar, o rapaz percebeu que ali havia uma oportunidade de conseguir mais recursos para gastar com o seu vício. Começou a roubar e vender objetos da empresa. O outro sócio percebeu e teve muitas dificuldades para lidar com o problema. Mesmo com todo o cuidado, o relacionamento entre os irmãos ficou definitivamente abalado, com graves reflexos tanto na sociedade como na vida pessoal.
Desempenho Insatisfatório
Ocorre quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas quanto ao seu desempenho profissional, seja nos aspectos técnicos, de relacionamento ou mostra-se incapaz de gerir o negócio com a eficiência e eficácia necessárias.
O desempenho insuficiente pode ter efeitos nos resultados empresariais, no caso de atividade profissional, a falta de qualidade poderá resultar em perdas, afetando os resultados do empreendimento.
Não importa que um dos sócios faça a sua parte com excelentes resultados, se o outro não consegue os mesmos resultados, a empresa poderá ter seus clientes insatisfeitos e isso já é motivo para sérias preocupações e ações corretivas imediatas e eficazes.
Agora, se a parte que não está desempenhando suas atividades satisfatoriamente, não pensa assim, a correção fica ainda mais difícil.
Convencer o parceiro que o trabalho tem que melhorar é tarefa complicada e, dependendo do temperamento das pessoas envolvidas, praticamente impossível.
Por outro lado, quando falta qualidade na gestão do negócio, pode ocorrer uma oura situação, isto é, os produtos/serviços, são de boa qualidade, os clientes estão satisfeitos, a empresa vende bem, mas os resultados financeiros não aparecem.
A empresa produz com qualidade, os clientes estão plenamente satisfeitos, porém os resultados empresariais não correspondem ao esperado, isto é, as atividades de gestão estão sendo realizadas de forma inadequada.
Este tipo de problema é de difícil solução e o ideal seria uma avaliação mais apurada durante a fase preliminar da formação da sociedade.
O que pode ser feito é preencher as deficiências é assumir a responsabilidade pelas atividades cujos resultados não são satisfatórios ou entregando as atividades ou parte delas para outro profissional contratado, ou ainda, se possível, terceirizar a atividade ou parte dela.
Para tanto, é necessário convencer o parceiro da necessidade da mudança, o que pode não ser tarefa fácil.
Outra opção seria convencer o sócio a freqüentar cursos de aperfeiçoamento, para conhecer novas técnicas ou metodologias, mais eficazes. Talvez, até freqüentar junto os cursos ou simplesmente também passar por um processo de treinamento para tornar possível um auxílio ao sócio.
A procura por cursos especializados deveria ser uma constante por parte dos empreendedores. O mercado oferece várias opções inclusive algumas patrocinadas por órgãos públicos a preços acessíveis ou até, inteiramente gratuitos.
Freqüentar cursos referentes às atividades desenvolvidas pela empresa ou cursos sobre gestão empresarial, certamente trará melhorias no desempenho da empresa, qualificando suas atividades e introduzindo novas formas e métodos na gestão do negócio, com melhoria nos resultados empresariais.
Com isto, certamente os clientes ficarão mais satisfeitos entrando assim a empresa num círculo de virtudes.
Conflitos de interesses entre os sócios
Pessoas têm ambições diferentes, visão de futuro diferente para a vida pessoal. Dessa forma, essas diferenças podem representar discordâncias no momento de planejar a empresa.
Enquanto um sócio tem expectativa de crescimento pessoal e planeja desenvolver o negócio para aumentar seus resultados, buscando novas oportunidades e planejando inovar para crescer, pode acontecer de que seu parceiro em uma fase de vida pessoal, cujos objetivos sejam totalmente diferentes. Não pretende despender grandes esforços no negócio, entende de que do jeito que está, está bom, não vê necessidades de novos investimentos em um negócio que já vem dando certo há muito tempo. Para que mudar se os resultados são satisfatórios?
Este tipo de conflito ocorre, principalmente, em empresas familiares, onde o pai normalmente, o fundador da empresa, está mais interessado em planejar a sua aposentadoria, em diminuir suas atividades. Enquanto isso, os descendentes entendem que oportunidades não podem ser desperdiçadas, que os bons resultados do presente em nada garantem o futuro da empresa.
Para manter-se no mercado é preciso inovar e crescer, buscar novos mercados, acompanhar a concorrência, perceber novas necessidades dos clientes, se possível, antes que eles mesmos percebam.
Entendemos que este tipo de conflito é o mais natural e, normalmente, envolve a sucessão na pequena empresa, por vezes muito complicada. A solução pelo diálogo e convencimento, pela mudança nos papéis. É possível atender objetivos tão diversos se a negociação for bem encaminhada.
A solução passa por atender os objetivos de cada parceiro, mesmo que pareçam tão antagônicos. Se o fundador tem vontade de priorizar sua vida pessoal, nada mais justo. Para tanto, deve começar a deixar as atividades de planejamento da empresa, para o sucessor, vais aos poucos se afastando das atividades da empresa. É ele quem deve diminuir o ritmo e não a empresa.
Esse mesmo tipo de conflito pode surgir quando um dos sócios, mesmo sem diferenças de idade não quer crescer, tem receio de que o crescimento da empresa significará perder o controle. "O que engorda o boi é o olho do dono", diz o ditado popular. Porém, o "olho do dono", não necessita ser utilizado no sentido literal. O "olho do dono" pode ser simplesmente um computador bem programado. Se os controles também forem aperfeiçoados, a empresa pode crescer e desenvolver-se, sem a presença física dos proprietários. Basta que os métodos gerenciais sejam aperfeiçoados, a tecnologia pode contribuir em muito.
Se o empreendedor resolve montar um carrinho para vender pipoca, tem que controlar as compras, os estoques, a produção, as vendas, atender clientes, tudo sozinho. Quando o negócio cresce e ele adquire mais um carrinho para colocar em outro ponto, já não é mais possível executar todas as atividades simultaneamente. Precisa, no mínimo, delegar algumas atividades. A partir daí tem que desenvolver novos controles e novos registros para as principais atividades. Na medida em que o número de carrinhos aumenta, mais complexos serão os controles. Entretanto, se as operações mais importantes forem adequadamente registradas e o sistema de controle eficaz, a empresa cresce e o empresário ganha mais dinheiro.
Portanto, os "olhos" que controlam o negócio vão se tornando cada vez mais simbólicos, até fazendas já têm sistemas próprios informatizados que tornam desnecessária a presença constante do fazendeiro. Sua administração é realizada por profissionais especializados na atividade.
O FIM DA SOCIEDADE
Chega um momento em que a única solução é desfazer a sociedade, seja de modo amigável ou litigiosa.
E a empresa como fica no caso? Será que tem que, necessariamente, ser seu fim?
Talvez a situação conflituosa tenha chegado a um ponto onde não é mais possível se obter um acordo. Talvez os danos causados ao empreendimento sejam irreparáveis. Se isso acontecer, só restam duas alternativas, fecharem a empresa ou tentar e salvar parte do capital investido. A melhor solução pode ser - por decisão judicial ou em uma derradeira tentativa – que um dos sócios consiga comprar a parte do outro.
Voltando ao início, se na formação da sociedade, forem realizados os estudos adequados para verificar a sua viabilidade, tanto no aspecto econômico como no que diz respeito ao relacionamento entre os sócios, se o planejamento foi bem feito, então o risco de que a sociedade não venha a dar certo será bem menor. Se os parceiros conhecem os seus pontos fortes e fracos e um do outro e os seus próprios, poderão decidir seguir adiante ou não a sociedade, se seguirem, terão menos chance de cometer erros e terem conflitos graves. Dessa forma, iniciar bem é fundamental para a continuidade da sociedade e o sucesso do empreendimento.
Entretanto, se mesmo assim conflitos surgirem e os sócios, ou um deles, sentirem a necessidade de desfazerem a sociedade, é importante iniciar uma negociação do tipo “ganha-ganha”, onde no final, ambos tenham seus interesses atendidos, ao menos parcialmente.
É fundamental evitar o agravamento do conflito a tal ponto que não haja mais condições de uma saída negociada.
Manter o foco nos objetivos da empresa, convencer o parceiro de que não deve haver danos ao negócio enquanto não chega a uma conclusão satisfatória, isto é planejar o final da sociedade.
A quem interessa continuar na empresa? Como fica o outro parceiro? Como fica a empresa durante o processo? As vezes, o simples afastamento de um dos sócios do dia-a-dia da empresa, mantendo a sociedade de uma outra forma pode ser a solução.
Quanto maior o conflito e mais comprometida a relação, mais difícil ser chegar a um final feliz. Quando chega ao ponto de deteriorar o relacionamento profissional, só delegando a terceiros, a tarefa de mediar a obtenção do acordo.
Portanto, quando sentir que o emocional está interferindo e começar a ficar difícil de se encontrar uma saída racional, torna-se importante buscar ajuda de terceiros, que sirvam de mediadores do negócio. Afaste-se do contato mais próximo antes que a situação se agrave ainda mais.
Numa negociação com ganhos mútuos tem que haver uma margem para perdas mútuas também. Não assumir posição de intransigência, estar disposto a ceder se necessário, em pontos onde é possível ceder. O importante sempre é evitar o máximo a radicalização e o conflito pessoal.
Se a sociedade é familiar, ou envolve ligação afetiva entre os sócios, ainda é mais complicado evitar o conflito emocional. Assim, é ainda mais importante o uso de um mediador par evitar que os ânimos fiquem acirrados.
Manter o foco nos objetivos em relação ao negócio e não nas relações pessoais, certamente ajudará muito.
Procure negociar o término da sociedade antes que o relacionamento pessoal tenha influência decisiva no processo.
Admita ganhos para o outro lado, mesmo que você entenda que não seja justo. Peça ajuda quando sentir que a negociação está fugindo dos seu controle, não caia em provocações, esteja sempre aberto ao diálogo e disposto a ceder, estas são as atitudes que podem contribuir para que se chegue a um final feliz.
O objetivo deste estudo consiste em relatar e analisar problemas que ocorrem em pequenas e micro empresas compostas por sociedade de duas ou mais pessoas, abordando aspectos relativos a conflitos decorrentes do relacionamento entre essas pessoas, bem como propor algumas medidas, ou atitudes, que possam contribuir para a minimização ou solução desses conflitos.
Certamente, muitas organizações empresarias deste porte, formadas por sócios, têm sucesso e funcionam por anos a fio, atingindo plenamente, os seus objetivos iniciais. Neste caso, os parceiros conseguem resolver satisfatoriamente seus conflitos, permanecendo focados nos objetivos maiores da empresa. A transparência no relacionamento e a correta divisão de atribuições e responsabilidades no negócio, são facilitadores dessa harmonia.
A clareza na definição do papel de cada um, a existência de registros e controles eficazes, possibilitam o fornecimento de informações corretas e em tempo aos sócios, tornando possível detectar a existência de desvios a tempo de corrigi-los evitando que seus efeitos tragam maiores danos à organização.
Planejar com cuidado o negócio também envolve buscar informações sobre seu futuro parceiro. Mesmo que o conheça pessoalmente, é importante trocar idéias sobre seus objetivos em relação ao negócio que está se iniciando. Quais são seus objetivos de longo prazo? O que realmente pretende com o negócio? Até que ponto vai o seu comprometimento com a nova atividade?
Se o futuro sócio é pessoa distante do seu relacionamento pessoal, então torna-se mais importante ainda conhecer seus objetivos, seu entusiasmo com o negócio. Buscar informações sobre seu comportamento anterior nas atividades que desenvolveu.
Enfim, quanto mais os sócios conhecerem-se, maior será a probabilidade de que conseguirão resolver seus conflitos de interesses satisfatoriamente para ambos.
Existem casos em que o sócio é amigo de longa data, jogam futebol juntos, têm ativa participação social conjunta. Porém, profissionalmente, quase não se conhecem. Por isso, é importante não misturar as coisas. O parceiro de festas, às vezes, só bom parceiro em festas e não aquela pessoa ideal para tocar um empreendimento com a inspiração e a transpiração necessárias.
Iniciaremos nossa análise, abordando os problemas advindos da formação da sociedade e do convívio entre os sócios. Posteriormente, tentaremos buscar alguns traços comuns nas empresas que tem uma sociedade duradoura e próspera.
Certa vez, a galinha convidou o porco para montarem uma sociedade. O objetivo da parceria era a produção de presunto com ovos. Ora, a parte que tocava à galinha era simples e não lhe causaria nenhum mal. Por outro lado, o porco teria que sacrificar-se, literalmente, para fornecer sua parte no produto. Seria esta sociedade justa? As partes estariam igualmente comprometidas? Com certeza, esta parceria não teria futuro.
Será que, ao ser convidado para montar uma sociedade, não lhe caberia o papel do porco? E se, ao contrário a você coubesse o papel da galinha, a sociedade teria futuro? Valeria a pena investir numa parceria desse tipo?
Certamente, que uma sociedade, para dar certo, tem que atender as expectativas dos participantes, possibilitar ganhos mútuos, atender interesses individuais, muitas vezes conflitantes. Os problemas começam a tornarem-se sérios quando um dos sócios sente-se prejudicado em relação à divisão das atividades e/ou dos recursos. Os motivos podem ser os mais diversos como veremos mais adiante.A tendência é que essa insatisfação afete, não apenas o relacionamento, mas sua desmotivação e mal estar podem impedir o desenvolvimento do negócio, tornando-se um entrave que pode levar desde a simples estagnação até ao fechamento prematuro, mesmo que, aparentemente, trate-se de um negócio com bom potencial para crescer.
Os conflitos entre sócios podem canalizar energias para aspectos que não interessam ao negócio, com a perda do foco principal da empresa, ora, se em paz já é difícil enfrentar, impostos, concorrência, gestão financeira, manutenção dos clientes e busca de novas opções, atualização tecnológica, preparando-se para o futuro incerto, imaginem em situação onde maior parte do tempo é dedicada à administração dos conflitos. O tempo passa a ser consumido nas desavenças, as atenções ficam voltadas para detalhes que fogem aos objetivos da empresa, o esforço inútil. Desta forma o negócio vai ficando cada vez mais em segundo plano, o resultado é perda do espaço empresarial, redução de receita, perda de clientes, etc.
Será que é possível, compatibilizar os interesses conflitantes, minimizar os prejuízos causados pela dificuldade de relacionamento dos sócios?
Em nosso entendimento, como acontece com a saúde das pessoas, se a doença for diagnosticada de forma correta e cedo, é mais fácil encontrar a cura. Nas empresas, se os problemas forem diagnosticados a tempo e atacados com eficácia, o processo pode ter solução rápida, sem que haja grandes prejuízos para a empresa e de forma que preserve o relacionamento entre as pessoas, principalmente quando trata-se de pessoas com ligações afetivas. Melhor ainda se houver uma prevenção adequada, eliminar o conflito, antes que aflore, que traga dano ao bom relacionamento entre os parceiros.
Visando simplificar a explicação, consideraremos em neste estudo, a existência de apenas dois sócios, o que sabemos não é regra geral. Entretanto, entendemos que, além de tornar mais fácil a compreensão, os problemas encontrados neste tipo de sociedade, refletem situações típicas, que ocorrem, mesmo em empresas com um número maior de sócios.
Normalmente, quando um empreendedor procura uma outra pessoa para montar uma sociedade, busca alguém que preencha alguma função a qual o empreendedor não se sente em condições de executar plenamente ou alguém com recursos disponíveis para completar o montante necessário para iniciar o empreendimento. Outra possibilidade é a escolha de um amigo ou familiar para, em conjunto, tocarem o empreendimento, às vezes pai e filho, marido e mulher, amigos, irmãos, etc.
Muitas vezes, o sonho de construir um negócio próspero com ganhos para ambos transforma-se em pesadelo, com grave reflexo, inclusive no relacionamento inicialmente existente. Casais separam-se, familiares viram inimigos, etc.
Muitos casos só conseguem ter um final após longo processo judicial, agravando ainda mais o relacionamento. Durante esse processo muitas vezes o empreendimento vai sendo deixado de lado, o que interessa é “vencer a guerra”, causar danos ao “inimigo”. Em resumo, quando a negociação passa a ser do tipo “perde-perde”, mais vale causar prejuízo ao adversário do que obter ganho pessoal.
E como fica a empresa durante esse processo? Como fica seu planejamento de médio e longo prazo? Será que a concorrência, sabendo do que está acontecendo, vai deixar passar essa oportunidade em vão?
Como é possível voltar seus esforços para o externo, se o interno está desarrumado, em conflito?
Custos com advogados, despesas judiciais, tempo dedicado às audiências e reuniões e outros esforços dedicados ao processo, tudo representa recurso tirado da empresa e, tempo, dinheiro, atenção, etc.
Certamente, como nas patologias humanas, o menor custo sempre é a prevenção. Nem sempre é possível prevenir, porém, todo o esforço realizado no planejamento e busca de informações, antes da efetivação da sociedade, compensa, se conseguir diminui a probabilidade de conflito tão grave.
Por que isso acontece?
Podemos encontrar uma grande variedade de causas que levam uma sociedade a esse desfecho, tipo “divórcio litigioso”, e que, podem levar um bom negócio a perder oportunidade de desenvolvimento ou, simplesmente, encerrar prematuramente, suas atividades.
A seguir, tentaremos identificar as principais causas geradoras de conflitos e analisar cada uma delas.
Conhecendo a causa é possível prevenir grande parte dos conflitos.
Entre as principais causas, podemos citar:
• Conduta inadequada por parte de um dos sócios;
• Conflitos emocionais;
• Problemas com terceiros;
• Desempenho Insatisfatório;
• Conflito de interesses entre os sócios;
Conduta inadequada por parte de um dos sócios
Acontece quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas da sociedade, o que pode ocorrer tanto por falta de empenho ou capacidade para desenvolver o negócio ou por atitudes mais graves, tais como desvio de recursos, má fé na gestão financeira da empresa, ou outro tipo qualquer de falcatrua.
Quando o trabalho árduo e a responsabilidade pela administração do empreendimento recaem com mais carga sobre um dos sócios e o outro não atua no mesmo ritmo, o primeiro sente-se explorado e frustrado por ter que trabalhar enquanto o “boa vida” pouco faz, mas na hora de receber está sempre pronto pra dividir os resultados. A conseqüência é a deterioração das relações e, em último caso, o fim da sociedade.
A melhor solução para este caso, é a saída negociada, isto é buscar um acordo aceitável, antes que o relacionamento chegue a um ponto onde não é mais possível encontrar uma solução tipo “ganha-ganha”, isto é, onde ambas as partes saiam satisfeitas, cedendo em alguns pontos porém, preservando seus principais objetivos, sem desgaste maior no relacionamento entre as partes, sem custas judiciais ou conflitos mais graves. Tão logo surja o problema a parte que sente-se prejudicada deve procurar o outro a fim de buscar uma solução negociada. È bem mais fácil encontrar uma solução negociada antes que o relacionamento pessoal se deteriore a tal ponto, que não é mais possível chegar a um consenso.
Também não é incomum, a conduta desonesta por parte de um dos sócios. Neste caso, as conseqüências podem ser mais graves. De repente o sócio prejudicado se depara com dívidas não pagas, receitas não contabilizadas com sérias conseqüências para o negócio e até para sua vida pessoal.
Neste caso, a falta de controles formais adequados e, muitas vezes, de preparo do sócio prejudicado, facilita o trabalho do “esperto”, que se aproveita da confusão estabelecida pelo descontrole para desviar os recursos sem que o outro perceba.
A formalização adequada da sociedade, através de contratos bem feitos, que estabeleçam compromissos de cada parte, bem como, a adoção de controles eficazes para o gerenciamento do negócio que permita a transparência das atividades empresariais e o devido acompanhamento desses controles pelos sócios, minimizam os riscos e facilitam o relacionamento entre aos parceiros. O excesso de confiança e a omissão formam o ambiente propício para quem deseja agir de má fé, sem que o sócio perceba.
Uma das maneiras mais eficazes de reduzir os riscos é buscar o máximo de informações possíveis, antes de formalizar a sociedade. Procure conhecer o sócio, descubra quais foram suas atividades anteriores. Qual o seu conceito no mercado e junto à antigos sócios ou conhecidos. Conversar com o candidato a parceiro para conhecer sua visão do negócio, seus planos para o futuro. Procure descobrir quais são seus reais interesses na formação da sociedade. É natural e lógico que as informações obtidas nem sempre serão corretas e verdadeiras. Entretanto, a análise das diversas fontes e o cruzamento dessas informações obtidas, permitirão formar uma opinião a respeito do possível sócio.
A partir daí, é possível tomar uma decisão com menor risco, Certamente, que é possível reduzir riscos, não eliminá-lo. È uma questão de aumentar a probabilidade de que problemas futuros não ocorram.
Principalmente, quando se trata de pessoas, muitas vezes, somos levados a julgar erroneamente, ou pela esperteza do outro, ou pela nossa boa fé e falha na análise correta das informações obtidas ou ainda, utilizando fontes não confiáveis ou tendenciosas.
Informações corretas levam a avaliações mais precisas. Porém, informações incorretas ou falsas são mais nocivas do que a falta de informações. Portanto, é muito importante certificar-se da correção das informações obtidas e de sua qualidade, somente assim, a decisão final recairá sobre a melhor alternativa possível.
Quando o empreendimento é dividido entre familiares ou outras pessoas com vínculo emocional, pode parecer que não haja necessidade de exercer um controle mais rígido sobre os negócios. Porém, é aí que reside o perigo. A confiança cega no parceiro pode levar a uma percepção tardia do problema, com danos irreparáveis ao negócio, podendo inclusive afetar drasticamente a vida financeira do lesado.
Portanto, controle não é desconfiança, é apenas uma forma adequada de acompanhar os processos empresarias de maneira a evitar que os problemas apareçam tarde demais.
Além disso, um empreendimento bem controlado tende a atingir melhores resultados, tem seu planejamento facilitado, mostrando oportunidades e antecipando crises a tempo de evitar prejuízos maiores.
Conflitos emocionais
São mais comuns quando envolvem pessoas da mesma família, casais, pais e filhos, irmãos, etc.
Quando as pessoas que têm convívio familiar ou de parentesco, resolvem criar um empreendimento e participarem juntas do mesmo, não se dão conta de que o relacionamento pessoal pode afetar o relacionamento profissional e o contrário também pode acontecer.
De repente, os problemas do trabalho são trazidos para o convívio familiar e os conflitos familiares também podem ser levados para o trabalho. O relacionamento fica por conseqüência, mais intenso e os conflitos são potencializados da mesma forma.
Pequenos problemas no relacionamento entre familiares que atuam juntos em um negócio, podem ter repercussão maior se esses conflitos forem levados para o relacionamento familiar. Essa interferência de problemas profissionais nas relações familiares pode trazer desgastes no relacionamento pessoal que poderão acarretar prejuízos tanto nas relações profissionais como nas afetivas.
Para evitar que isso aconteça, é necessário que os parceiros estabeleçam um “pacto” entre si. O objetivo desse acordo prévio é a correta separação dos papéis. Por exemplo, não levar problemas profissionais para serem abordados no ambiente familiar e não tratar de conflitos “caseiros”, no local de trabalho. Isto significa simplesmente não misturar os assuntos. As desavenças de trabalho devem ser resolvidas na empresa e os conflitos domésticos dentro de casa.
O estabelecimento de certas regras pode ajudar a manter um clima pessoal e profissional que não atrapalhe, tanto o desenvolvimento de seu negócio como o relacionamento familiar.
Já conheci empresas, cujos sócios, marido e mulher, romperam os laços matrimoniais e continuaram a exercer suas atividades profissionais juntos. Apesar da separação do casal mesmo depois de longo tempo, quando os sócios já tinham refeito suas vidas com outros cônjuges, a parceria comercial continuou estável, sem que houvesse solução de continuidade para o negócio, ao contrário, a empresa em questão, continuou prosperando e trazendo bons lucros aos sócios.
Problemas com terceiros
Quando surge a necessidade de agregar mais um profissional na empresa, o correto seria procurar pessoa com o perfil adequado à atividade. Resolver uma carência profissional de forma profissional. Porém, muitas vezes não é isto que ocorre.
Um familiar em idade de trabalhar ou que está tendo problemas de comportamento, sem perfil adequado à atividade, despreparado para o exercício da função, de repente é escolhido para trabalhar na empresa.
Este tipo de problema ocorre quando surge um terceiro interessado no negócio, na maioria das vezes, indicado por um dos sócios, por ser seu familiar, amigo, enfim, da confiança de apenas um dos parceiros.
O exemplo mais comum é a inclusão de um filho quando este atinge a idade pra trabalhar, o pai na esperança de começar a preparar a sua sucessão resolve dar uma oportunidade ao filho. Entretanto, muitas vezes esse familiar não tem a resposta necessária do ponto de vista funcional. Mesmo assim, na esperança que haja uma melhora, o pai insiste em mantê-lo na empresa. Porém, sua atuação, além de não corresponder as necessidades da empresa, representa custo adicional e influência no comportamento do familiar. Há um certo desequilíbrio no relacionamento entre os antigos sócios. O outro parceiro, tem uma visão mais isenta e percebe a ineficácia do desempenho e os conseqüentes prejuízos trazidos à organização. Entretanto, sente-se constrangido em tratar do assunto com o sócio, para não criar animosidade entre eles. A insistência vai provocando desgaste ao relacionamento e, não raras vezes, danos ao empreendimento.
Em nossas atividades de consultoria, encontramos um exemplo deste tipo de problema, que praticamente liquidou com a sociedade.
Na empresa eram sócios dois irmãos. O filho de um dos sócios começou a apresentar problemas de comportamento, inclusive com o uso de drogas ilegais. O pai com o intuito de controlar melhor o filho e, ao mesmo tempo, afastá-lo do convívio de más companhias, colocou-o a trabalhar na empresa. O que aconteceu é que além de não melhorar, o rapaz percebeu que ali havia uma oportunidade de conseguir mais recursos para gastar com o seu vício. Começou a roubar e vender objetos da empresa. O outro sócio percebeu e teve muitas dificuldades para lidar com o problema. Mesmo com todo o cuidado, o relacionamento entre os irmãos ficou definitivamente abalado, com graves reflexos tanto na sociedade como na vida pessoal.
Desempenho Insatisfatório
Ocorre quando um dos sócios não está correspondendo às expectativas quanto ao seu desempenho profissional, seja nos aspectos técnicos, de relacionamento ou mostra-se incapaz de gerir o negócio com a eficiência e eficácia necessárias.
O desempenho insuficiente pode ter efeitos nos resultados empresariais, no caso de atividade profissional, a falta de qualidade poderá resultar em perdas, afetando os resultados do empreendimento.
Não importa que um dos sócios faça a sua parte com excelentes resultados, se o outro não consegue os mesmos resultados, a empresa poderá ter seus clientes insatisfeitos e isso já é motivo para sérias preocupações e ações corretivas imediatas e eficazes.
Agora, se a parte que não está desempenhando suas atividades satisfatoriamente, não pensa assim, a correção fica ainda mais difícil.
Convencer o parceiro que o trabalho tem que melhorar é tarefa complicada e, dependendo do temperamento das pessoas envolvidas, praticamente impossível.
Por outro lado, quando falta qualidade na gestão do negócio, pode ocorrer uma oura situação, isto é, os produtos/serviços, são de boa qualidade, os clientes estão satisfeitos, a empresa vende bem, mas os resultados financeiros não aparecem.
A empresa produz com qualidade, os clientes estão plenamente satisfeitos, porém os resultados empresariais não correspondem ao esperado, isto é, as atividades de gestão estão sendo realizadas de forma inadequada.
Este tipo de problema é de difícil solução e o ideal seria uma avaliação mais apurada durante a fase preliminar da formação da sociedade.
O que pode ser feito é preencher as deficiências é assumir a responsabilidade pelas atividades cujos resultados não são satisfatórios ou entregando as atividades ou parte delas para outro profissional contratado, ou ainda, se possível, terceirizar a atividade ou parte dela.
Para tanto, é necessário convencer o parceiro da necessidade da mudança, o que pode não ser tarefa fácil.
Outra opção seria convencer o sócio a freqüentar cursos de aperfeiçoamento, para conhecer novas técnicas ou metodologias, mais eficazes. Talvez, até freqüentar junto os cursos ou simplesmente também passar por um processo de treinamento para tornar possível um auxílio ao sócio.
A procura por cursos especializados deveria ser uma constante por parte dos empreendedores. O mercado oferece várias opções inclusive algumas patrocinadas por órgãos públicos a preços acessíveis ou até, inteiramente gratuitos.
Freqüentar cursos referentes às atividades desenvolvidas pela empresa ou cursos sobre gestão empresarial, certamente trará melhorias no desempenho da empresa, qualificando suas atividades e introduzindo novas formas e métodos na gestão do negócio, com melhoria nos resultados empresariais.
Com isto, certamente os clientes ficarão mais satisfeitos entrando assim a empresa num círculo de virtudes.
Conflitos de interesses entre os sócios
Pessoas têm ambições diferentes, visão de futuro diferente para a vida pessoal. Dessa forma, essas diferenças podem representar discordâncias no momento de planejar a empresa.
Enquanto um sócio tem expectativa de crescimento pessoal e planeja desenvolver o negócio para aumentar seus resultados, buscando novas oportunidades e planejando inovar para crescer, pode acontecer de que seu parceiro em uma fase de vida pessoal, cujos objetivos sejam totalmente diferentes. Não pretende despender grandes esforços no negócio, entende de que do jeito que está, está bom, não vê necessidades de novos investimentos em um negócio que já vem dando certo há muito tempo. Para que mudar se os resultados são satisfatórios?
Este tipo de conflito ocorre, principalmente, em empresas familiares, onde o pai normalmente, o fundador da empresa, está mais interessado em planejar a sua aposentadoria, em diminuir suas atividades. Enquanto isso, os descendentes entendem que oportunidades não podem ser desperdiçadas, que os bons resultados do presente em nada garantem o futuro da empresa.
Para manter-se no mercado é preciso inovar e crescer, buscar novos mercados, acompanhar a concorrência, perceber novas necessidades dos clientes, se possível, antes que eles mesmos percebam.
Entendemos que este tipo de conflito é o mais natural e, normalmente, envolve a sucessão na pequena empresa, por vezes muito complicada. A solução pelo diálogo e convencimento, pela mudança nos papéis. É possível atender objetivos tão diversos se a negociação for bem encaminhada.
A solução passa por atender os objetivos de cada parceiro, mesmo que pareçam tão antagônicos. Se o fundador tem vontade de priorizar sua vida pessoal, nada mais justo. Para tanto, deve começar a deixar as atividades de planejamento da empresa, para o sucessor, vais aos poucos se afastando das atividades da empresa. É ele quem deve diminuir o ritmo e não a empresa.
Esse mesmo tipo de conflito pode surgir quando um dos sócios, mesmo sem diferenças de idade não quer crescer, tem receio de que o crescimento da empresa significará perder o controle. "O que engorda o boi é o olho do dono", diz o ditado popular. Porém, o "olho do dono", não necessita ser utilizado no sentido literal. O "olho do dono" pode ser simplesmente um computador bem programado. Se os controles também forem aperfeiçoados, a empresa pode crescer e desenvolver-se, sem a presença física dos proprietários. Basta que os métodos gerenciais sejam aperfeiçoados, a tecnologia pode contribuir em muito.
Se o empreendedor resolve montar um carrinho para vender pipoca, tem que controlar as compras, os estoques, a produção, as vendas, atender clientes, tudo sozinho. Quando o negócio cresce e ele adquire mais um carrinho para colocar em outro ponto, já não é mais possível executar todas as atividades simultaneamente. Precisa, no mínimo, delegar algumas atividades. A partir daí tem que desenvolver novos controles e novos registros para as principais atividades. Na medida em que o número de carrinhos aumenta, mais complexos serão os controles. Entretanto, se as operações mais importantes forem adequadamente registradas e o sistema de controle eficaz, a empresa cresce e o empresário ganha mais dinheiro.
Portanto, os "olhos" que controlam o negócio vão se tornando cada vez mais simbólicos, até fazendas já têm sistemas próprios informatizados que tornam desnecessária a presença constante do fazendeiro. Sua administração é realizada por profissionais especializados na atividade.
O FIM DA SOCIEDADE
Chega um momento em que a única solução é desfazer a sociedade, seja de modo amigável ou litigiosa.
E a empresa como fica no caso? Será que tem que, necessariamente, ser seu fim?
Talvez a situação conflituosa tenha chegado a um ponto onde não é mais possível se obter um acordo. Talvez os danos causados ao empreendimento sejam irreparáveis. Se isso acontecer, só restam duas alternativas, fecharem a empresa ou tentar e salvar parte do capital investido. A melhor solução pode ser - por decisão judicial ou em uma derradeira tentativa – que um dos sócios consiga comprar a parte do outro.
Voltando ao início, se na formação da sociedade, forem realizados os estudos adequados para verificar a sua viabilidade, tanto no aspecto econômico como no que diz respeito ao relacionamento entre os sócios, se o planejamento foi bem feito, então o risco de que a sociedade não venha a dar certo será bem menor. Se os parceiros conhecem os seus pontos fortes e fracos e um do outro e os seus próprios, poderão decidir seguir adiante ou não a sociedade, se seguirem, terão menos chance de cometer erros e terem conflitos graves. Dessa forma, iniciar bem é fundamental para a continuidade da sociedade e o sucesso do empreendimento.
Entretanto, se mesmo assim conflitos surgirem e os sócios, ou um deles, sentirem a necessidade de desfazerem a sociedade, é importante iniciar uma negociação do tipo “ganha-ganha”, onde no final, ambos tenham seus interesses atendidos, ao menos parcialmente.
É fundamental evitar o agravamento do conflito a tal ponto que não haja mais condições de uma saída negociada.
Manter o foco nos objetivos da empresa, convencer o parceiro de que não deve haver danos ao negócio enquanto não chega a uma conclusão satisfatória, isto é planejar o final da sociedade.
A quem interessa continuar na empresa? Como fica o outro parceiro? Como fica a empresa durante o processo? As vezes, o simples afastamento de um dos sócios do dia-a-dia da empresa, mantendo a sociedade de uma outra forma pode ser a solução.
Quanto maior o conflito e mais comprometida a relação, mais difícil ser chegar a um final feliz. Quando chega ao ponto de deteriorar o relacionamento profissional, só delegando a terceiros, a tarefa de mediar a obtenção do acordo.
Portanto, quando sentir que o emocional está interferindo e começar a ficar difícil de se encontrar uma saída racional, torna-se importante buscar ajuda de terceiros, que sirvam de mediadores do negócio. Afaste-se do contato mais próximo antes que a situação se agrave ainda mais.
Numa negociação com ganhos mútuos tem que haver uma margem para perdas mútuas também. Não assumir posição de intransigência, estar disposto a ceder se necessário, em pontos onde é possível ceder. O importante sempre é evitar o máximo a radicalização e o conflito pessoal.
Se a sociedade é familiar, ou envolve ligação afetiva entre os sócios, ainda é mais complicado evitar o conflito emocional. Assim, é ainda mais importante o uso de um mediador par evitar que os ânimos fiquem acirrados.
Manter o foco nos objetivos em relação ao negócio e não nas relações pessoais, certamente ajudará muito.
Procure negociar o término da sociedade antes que o relacionamento pessoal tenha influência decisiva no processo.
Admita ganhos para o outro lado, mesmo que você entenda que não seja justo. Peça ajuda quando sentir que a negociação está fugindo dos seu controle, não caia em provocações, esteja sempre aberto ao diálogo e disposto a ceder, estas são as atitudes que podem contribuir para que se chegue a um final feliz.
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