Quem é este profissional? Está em extinção? Vive de recordações?
Quando se pergunta a uma pessoa que trabalhou em ferrovia qual é a sua profissão, a resposta não é engenheiro, contador, torneiro mecânico, eletricista, técnico de segurança, etc .., mas “sou ferroviário”.
É interessante observar em reuniões de entidades ligadas ao meio ferroviário, a participação de pessoas já idosas, defendendo a ferrovia, como se ainda tivessem uma participação ativa, como se temessem a extinção das estradas de ferro, dispostos a lutar pela sua continuidade.
Durante décadas, os ferroviários tiveram um papel muito importante no desenvolvimento brasileiro, contribuíram para o crescimento de importantes cidades, participaram ativamente da vida política do país, através dos sindicatos e entidades de classe, fundaram a primeira cooperativa da América Latina, mantiveram escolas para formação de técnicos, entre outras atividades não menos importantes.
A partir do final da década de 50, o país optou por um modelo que privilegia o sistema rodoviário, priorizando estradas de rodagens, recebendo as principais fábricas de caminhões. Com isso, os trens foram perdendo espaço, primeiramente com a supressão dos trens de passageiros, posteriormente com a própria carga perdendo seu espaço para os caminhões.
Atualmente, o modal ferroviário é utilizado apenas como um complemento do transporte rodoviário brasileiro.
Com este novo cenário, os ferroviários perderam sua influência na sociedade, na década de 60, eram 17.000 trabalhadores ativos, apenas no Rio Grande do Sul, hoje, não devem passar de 500 colaboradores atuando na ferrovia, em nosso estado.
Mas mesmo neste cenário desfavorável, os ferroviários já aposentados, continuam lutando pelo desenvolvimento da ferrovia. Quando ouvem falar em projetos de ampliação do sistema ou da construção de novas ferrovias, seus olhos brilham, vibram como se fossem jovens estagiários prontos para enfrentar novos desafios.
Por isso, a questão. Que profissional é esse que não quer abandonar sua atividade, mesmo depois de cumprir todo o seu tempo de serviço? Que profissional é esse que se emociona quando começa a contar suas estórias nos tempos de ferroviário ativo? Que profissional é esse que mesmo já idoso manifesta tanto amor pela atividade que desempenhou durante sua vida como trabalhador ativo?
Será ele um dinossauro em extinção? Ou será ele um exemplo para os mais jovens que vivem num ambiente de mudanças constantes, onde o vínculo com a empresa que trabalham é apenas temporário.
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