Tenho ouvido de vários gerentes conhecidos, queixas a respeito da falta de motivação de seus colaboradores e da falta de comprometimento dos mesmos com os objetivos da empresa em que trabalham. Em conversa com amigo, que exerce cargo de gerência em uma grande empresa, ele me contou que, durante a avaliação de um dos seus subordinados, por sinal bem avaliado, o mesmo o interrompeu e perguntou. “O que eu devo fazer para ser demitido?” Como se nada daquilo estivesse interessando. Esse gerente ficou chocado com a pergunta e com a falta de motivação demonstrada pelo colaborador.
Outros gerentes também têm demonstrado preocupações com a apatia demonstrada pelos subordinados. É como se considerassem o emprego como um mal necessário e transitório, para a sua sobrevivência. Logo que possível arranjariam uma maneira de serem demitidos e passariam um tempo gozando dos benefícios como, salário desemprego e FGTS.
Por que será que isso está ocorrendo nas empresas?
Vamos voltar um pouco no tempo período em que se o profissional tivesse muitos empregos registrados na carteira, era sinal de instabilidade, de que não permanecia no mesmo lugar durante muito tempo.. Portanto, a conclusão mais lógica era a de que se tratava de um mau empregado. Uma das características de um bom funcionário era a estabilidade na empresa. Permanecia longo tempo em seus empregos, se sentia parte da organização, desenvolvendo, na maior parte das vezes, sua carreira dentro da empresa.
Atualmente, as empresas estão sempre em processo de mudança, para que possam atender as necessidades do mercado em que atuam, muitas trocam frequentemente de propriedade e a cada troca, lá vem mudança. Qualquer crise é motivo de redução de pessoal, demissões. Esse cenário obriga as pessoas a trocas freqüentes de emprego, a desenvolver uma carreira pessoal, sem vínculos com determinada empresa. A ênfase passou a ser a carreira pessoal e não a estabilidade de um emprego duradouro.
Uma amiga trabalhava na mesma empresa há mais de 10 anos, quando resolveu submeter-se a um processo seletivo em outra empresa. Durante a seleção, na qual não foi aprovada, ouviu de um entrevistador, críticas sobre o fato de estar a muito tempo na mesma organização, o que tornava sua experiência muito homogênea, segundo ele. A conseqüência é que isto pode indicar uma pessoa acomodada, sem perfil empreendedor, sem grandes ambições para a sua carreira.
Sem expectativa de um emprego duradouro, as pessoas vão se adaptando a nova situação, como consequência acabam perdendo o vínculo com a empresa para qual estão trabalhando. Se posso ser demitido a qualquer momento.....porque vestir a camisa da empresa.
Os mais preparados e adaptados ao novo cenário, utilizam seu emprego para aprender e preparar-se para desenvolver sua carreira, na própria corporação ou não. Isto é, se permanecerem na empresa vão construindo sua carreira de maneira sólida, se saírem, estarão prontos para enfrentar novos desafios. Paralelamente, vão buscando aprimorar sua formação para melhorar sua qualificação e manter-se atualizado em relação às necessidades do mercado.
Com isso, seu desenvolvimento profissional, ocorrerá independentemente da empresa em que trabalha. Ao mesmo tempo, é importante dedicar-se à sua atividade atual, aproveitar o que a empresa oferece, para aprender e crescer. Manter um bom relacionamento com os demais colegas para formar uma boa rede de apoio também pode ajudá-lo, inclusive, a vencer novos desafios.
Quanto aos gerentes, seu maior desafio é motivar esse novo empregado. Entendo que a melhor forma de atingir esse objetivo é buscar ganhar a confiança do colaborador, criar um ambiente de lealdade mútua e respeito. Usar seu próprio exemplo para mostrar as vantagens de executar um bom trabalho, informar sobre as oportunidades que a empresa oferece para os que se destacam. É importante, passar aos colaboradores toda a informação possível, a respeito dos planos e projetos da organização. Fazer com que ele se sinta parte dos planos da empresa. Mostrar que, apesar de também correr risco de perder o emprego, mantém-se motivado e busca cada vez mais a sua qualificação profissional. Agindo assim, estará preparado para vencer as ameaças e aproveitar melhor as oportunidades que o mercado de trabalho oferece.
Cabe ao gerente usar sua capacidade de liderar e motivar pessoas para convencer os seus colaboradores da importância de transformar a ameaça do desemprego em oportunidade de crescimento profissional, desenvolvendo um bom trabalho.A manutenção de um bom clima organizacional também é fundamental para criar equipes produtivas e motivadas.
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